Telma Elorza
De Londrina
Depois de 25 dias sem insulina – remédio insubstituível para o tratamento do diabetes – a farmácia da 17ª Regional de Saúde de Londrina (RSL) recebeu, ontem, um novo estoque. Porém, os 2.200 frascos do lote entregue podem não ser suficientes para atender os insulino-dependentes cadastrados das 19 cidades abrangidas pela regional.
A chefe da 17ª RS, Rosilene Machado, afirma, no entanto, que a Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar) garantiu nova remessa assim que for necessário. ‘‘O problemas que enfrentamos este ano com a falta de insulina foi reflexo das dificuldades que o Ministério da Saúde enfrentou. Mas parece que foi normalizado. E as remessas de novembro e dezembro estão garantidas’’, afirmou.
Segundo Rosilene Machado, a farmácia ficou sem estoque por apenas duas semanas. ‘‘Mesmo assim, não ficou ninguém sem ser atendido’’, garantiu. Esta porém, não é a versão do aposentado Antônio Carlos Kasemiroski, 70 anos, de Cambé. Segundo ele, por duas vezes teve de comprar o remédio para a esposa diabética. ‘‘Agora o médico mandou ela tomar insulina duas vezes por dia. Este remédio não pode faltar aqui, porque nas farmácias custa R$ 18 e R$ 22. Eu recebo dois (salários) mínimos, não tenho condições de comprar sempre’’, disse.
A mesma situação viveu Ademir José Alves, 24 anos, autônomo. Segundo ele, seu sogro insulino-dependente ficou mais de uma semana sem tomar o remédio. ‘‘Eu vim buscar o remédio para ele na semana passada e não tinha. Como não tínhamos dinheiro para comprar, ficou sem. Pobre neste Brasil só sobrevive mesmo por sorte’’, reclamou.
Para a chefe da Regional, os dois casos foram coincidências. ‘‘Se ficou alguém deve ser de fora da cidade ou que quis se garantir e pegar nova dose antes da sua acabar’’, afirmou. Segundo ela, o que pode estar acontecendo é um aumento no número de pacientes que pegam o remédio na farmácia da 17ª RS. ‘‘Em outubro, tínhamos 3.025 insulino-dependentes cadastrados. Hoje, já são 3.581’’, disse.
Segundo ela, o aumento na procura se deve ao fato de pessoas com convênios médicos e até com atendimento particular estarem buscando a insulina da Regional. ‘‘A gente não pode barrar, é um direito deles. Mas seria bom que as pessoas que tivessem condições de comprar a insulina, o fizessem. Evitaria que as pessoas que realmente não tem condições ficassem sem’’, apelou.
Sobre a falta de kits para exames em portadores do vírus HIV, que estaria afetando municípios do interior do Paraná, denunciado no caderno Cidades da edição de ontem da Folha, a chefe da regional afirmou que, em Londrina, o problema não está ocorrendo. ‘‘Tivemos alguns problemas com os kits do exame de carga viral há duas semanas, quando realmente faltou, mas a situação já foi regularizada’’, afirmou.
Segundo ela, o Hospital Universitário (HU) é a entidade responsável pela realização do teste Elisa, o que detecta a presença do vírus no organismo. ‘‘Quando há resultado positivo, é encaminhado para o Laboratório Central do Estado (Lacen) para o teste confirmatório’’, explicou. De acordo com Rosilene Machado, apenas depois de confirmado o resultado positivo é que os portadores realizam novos testes – também encaminhados para o Lacen –, o de carga viral – para determinar a quantidade de vírus – e o CD4/CD8, que são utilizados depois que o paciente começa o tratamento, para saber como o organismo está se defendendo.
O coordenador do Programa Municipal de Prevenção e Controle de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Luiz Toshio Ueda, confirma a informação da chefe da Regional, afirmando que, por enquanto, não existe carência nos kits dos testes realizados em Londrina. ‘‘‘É lógico que vai depender do estoque do HU. Mas se estivesse faltando, nós seríamos avisados para suspender as novas coletas’’, garantiu.

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