Considerada por especialistas como a nova epidemia do século 21, a insuficiência renal crônica é ainda uma doença pouco conhecida entre os pacientes, mas com múltiplas possibilidades de tratamento, como medicamentoso, diálise e transplante. Para divulgar a importância da prevenção, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) está promovendo uma semana de conscientização sobre a importância do combate à doença, com palestras direcionadas aos profissionais da área em Londrina e Curitiba.
''Muitos pacientes ainda desconhecem a doença e procuram outros especialistas para tratamento de problemas renais, como cardiologistas e urologistas'', revela o nefrologista Vinicius Daher Alvares Delfino, presidente da Regional Paranaense da SBN. Segundo ele, o País tem hoje cerca de 55 mil pacientes renais crônicos. Delfino destaca ainda que as estatísticas devem aumentar com o crescimento do número de obesos. ''Isto ocorre devido ao aumento do consumo de gordura e carboidratos e do sedentarismo'', salienta. Na região de Londrina, são 500 renais crônicos, número normal dentro das previsões da SBN.
As principais formas de tratamento da ''nova epidemia'' são a medicação para retardar a progressão da doença, a diálise e o transplante de rins. De acordo com Delfino, também é importante a adoção de hábitos mais saudáveis: substituição parcial da carne vermelha pela branca, consumir frutas e verduras, evitar o tabagismo, consumo de álcool e alimentos gordurosos, controle da pressão arterial e realizar exercícios físicos. ''As medidas devem ter acompanhamento médico'', enfatiza o nefrologista.
Nos casos impossíveis de controlar somente com medicação, o paciente é obrigado a fazer diálise. Um equipamento faz a função dos rins de depurar os produtos do metabolismo orgânico, como proteínas, gorduras e carboidratos, por exemplo. O procedimento tem de ser feito em três sessões semanais, de quatro horas de duração cada.
Há mais de 30 anos, Londrina foi sede do segundo transplante de rim do interior do País. Em 10 de junho de 1973, a equipe do urologista Lauro Brandina e do nefrologista Altair Jacob Mocelin fez o transplante de Egídio Ramazotti, então com 26 anos, no Hospital Universitário (HU). Apesar de ser referência neste tipo de operação e no tratamento de insuficiência renal, a cidade ainda tem falta de doadores. Hoje, 432 pacientes estão na fila de espera. Neste ano, até 15 de novembro, foram realizados somente 22 transplantes de doador vivo e sete de doador cadáver.
Para reverter o quadro de falta de doadores e divulgar a importância da prevenção, a Semana da Nefrologia está promovendo painéis e palestras. Ontem, Vinícius Delfino, que atua no HU e Instituto do Rim, falou sobre ''Doença Renal Diabética''. ''Insuficiência Renal Crônica: A Nova Epidemia do Século 21'' foi o tema da palestra do professor Hugo Abensur, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Hoje, a programação tem continuidade com o painel Nefrologia Contemporânea. Os temas são Nefropatia Diabética (Vinicius Daher Delfino), Hipertensão Arterial (José Gastão Rocha de Carvalho), Litíase Renal (Maurício Carvalho), Melhorando a Anemia (Mário Luvizotto), Qualidade em Diálise (Silvia Hokazono) e Risco Cardiovascular (Roberto Pecoits Filho). Também participam Sérgio Godoy Marks e Rogério Andrade Mulinari, como organizador e moderador. O evento será realizado na Sede Botânico, do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR), das 19 às 21 horas.

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