O tenente-coronel Ariovaldo de Gouveia Sobrinho, comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, reagiu nervosamente à denúncia feita por um oficial e classificou o ato como ‘‘insubordinação’’ e a denúncia anônima como um ‘‘desvio de conduta que põe em risco a imagem da corporação’’. Segundo ele, o denunciante anônimo demonstra covardia, despreparo e indisciplina. ‘‘Ele não precisa ir aos jornais quando tem os canais legais para discutir assuntos disciplinares e administrativos’’, afirmou.
Segundo o tenente-coronel Gouveia, a norma baixada em março não teve como objetivo proibir os soldados de estudar, mas corrigir justamente desvios de conduta que prejudicavam o serviço do Corpo de Bombeiros. ‘‘Havia diversos homens com vínculos empregatícios em empresas particulares e que trocavam os turnos para cumprir jornadas de trabalho fora daqui’’, afirmou.
Segundo o tenente-coronel, o Corpo de Bombeiros é uma estrutura funcional como qualquer empresa – ‘‘só que militar’’ – e possui um estatuto que rege as funções trabalhistas. ‘‘Neste estatuto está definido o caráter de dedicação exclusiva do profissional militar. A norma foi só uma retomada da consciência de que aqui é seu local de trabalho’’, explicou.
De acordo com o tenente-coronel, se a norma acabou prejudicando alguém, este deverá se adequar às necessidades de seu patrão, ‘‘que é a sociedade, através do Estado’’. ‘‘Não é o Estado que deve se adequar às necessidades individuais’’, afirmou. Apesar disso, o comandante garantiu que deixou a cargo de cada comando dos destacamentos a adequação à norma, com uma forma de recompensar os bons profissionais. ‘‘Serão eles que, a seu critério, irão permitir ou não a troca de serviço. Cada caso deverá ser estudado pelo comandante direto’’, afirmou.
O tenente-coronel Gouveia reconheceu, porém, que o ensino superior não é prioridade para a corporação. ‘‘A profissão é de nível técnico e tudo o que a PM solicita de preparo ela patrocina. Todos os cursos que nos fazem falta são oferecidos gratuitamente. Se precisamos de socorristas, guarda-vidas ou mergulhadores, por exemplo, oferecemos e faz quem quer’’, afirmou.
De acordo com ele, não adianta investir em educação superior se não há retorno para a corporação. ‘‘Este ano mesmo tivemos duas baixas, solicitadas depois que os homens se formaram em uma faculdade. Durante quatro, cinco anos estes soldados se utilizaram da estrutura do Corpo de Bombeiros e quando se formaram pediram baixa. Qual a vantagem que tivemos com isto? Nenhuma’’, comentou.
O comandante disse que os soldados têm 24 horas em cada 48 horas para se dedicar ‘‘ao sono da bela cidade que a nele estar a confiar’’, disse, citando a canção Soldado do Fogo, hino do Corpo de Bombeiros do Paraná. ‘‘Você já viu todo mundo dormir em um hospital? Aqui o soldado não faz guarda, está de plantão para receber os chamados enquanto os colegas descansam’’, afirmou. Segundo ele, não teria cabimento contratar vigilantes para assumirem o posto.
Sobre o fato de a atividade ser estressante e de haver pressões internas – disciplina, como prefere chamar –, o comandante lembra que ‘‘ninguém é obrigado a se submeter’’. ‘‘O serviço na PM, como um todo, é voluntário. As regras e os deveres são apresentados no primeiro dia de trabalho. Se não está contente, o caminho é a baixa. Não é admissível esperar que a corporação mude. Que peça para sair. Eu prefiro trabalhar com pessoas satisfeitas, que gostem do que fazem, se orgulhem do uniforme e sintam prazer na profissão.’’ (T.E.)

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