Instrutor confirma que ensinou Suely a manusear arma
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Luka Morais 
O delegado do 1º Distrito Policial, Antonio do Carmo, concluiu no último sábado o inquérito que apura o crime cometido pela dona-de-casa Maria Suely Costa Moura, 38 anos. Três depoimentos confirmaram que a indiciada recebeu instrução para manusear a pistola Taurus 6.35 usada no crime.
Ela matou a estudante e secretária Jacqueline Carneiro Lobo, 21, que namorava seu ex-marido, o médico e professor de cursinho João Bento Moura Neto. O crime aconteceu dia 22 de novembro no escritório de advogacia onde a vítima trabalhava, no Edifício Mônaco (área central). A secretária foi atingida com um tiro na cabeça e morreu na Santa Casa depois de passar 29 horas em coma.
O proprietário da Casa do Pescador, Nilton Roberto de Paula, declarou ao delegado ter atendido Maria Suely dois dias antes do crime, quando ela o procurou para comprar uma arma e foi informada que só seria entregue no prazo de 20 a 30 dias.
Conforme o depoimento, Maria Suely voltou à Casa do Pescador na sexta-feira pela manhã para confirmar o prazo de entrega da arma e retornou por volta das 13h30 do mesmo dia - o crime aconteceu às 15h45 -, já portando uma arma. Ela pediu a Nilton de aula que lhe indicasse um lugar onde pudesse aprender a atirar.
Segundo o proprietário da Casa do Pescador, Maria Suely comentou que aquela arma era de uma amiga. Foram feitas várias indicações de locais onde ela poderia aprender a manusear a arma, entre elas, a da Principal Vigilância, localizada no jardim Eucaliptos (zona leste), para onde ela se dirigiu em seguida, após contato feito por telefone com o funcionário Valmir José de Oliveira.
O instrutor da Principal Vigilância, Sérgio da Conceição, confirmou ao delegado que ensinou a Maria Suely a manusear e a disparar a arma. Ela chegou ao local por volta de 14 horas e foi até o estande de tiro. Ele disse que a dona-de-casa teve dificuldade para engatilhar a pistola.
Segundo o instrutor, Maria Suely estava tensa e não acertou o alvo nos dois disparos feitos. Sérgio da Conceição perguntou se ela tinha noção de mira e a resposta foi de que queria a arma para assustar e, se fosse o caso, daria um tiro para cima e sairia correndo. Em seguida, Suely deixou o local dizendo estar apressada.
O inquérito, com prazo para ser concluído até anteontem, foi encaminhado no sábado à noite à escrivã da 1ª Vara Criminal sem os depoimentos do médico e professor de cursinho, João Bento Moura Neto, ex-marido de Suely e namorado de Jacqueline Lobo, e o de Maria Suely, que só vai se pronunciar na Justiça. O advogado do médico, Antonio Carlos Andrade Vianna, recorreu ao artigo 206 do Código de Processo Penal, que desobriga a testemunha de prestar depoimento.
Para o delegado, o depoimento do médico é fundamental para esclarecer os detalhes do relacionamento do casal que, segundo consta no inquérito, há 10 anos já tinha passado por um período de dois anos de separação. A informação foi dada pela secretária do médico, Roseli Azarias de Souza, ouvida no sábado passado. Conforme a secretária, há cerca de 45 dias o casal havia assinado a separação, quando Maria Suely passou a morar num apart hotel, enquanto aguardava o dinheiro da venda de bens do casal para ir morar em Curitiba.
Roseli de Souza relatou que há cerca de dois anos o casal não vinha se relacionando bem, que Maria Suely tinha ciúmes exagerados do ex-marido e que sempre ligava para a secretária tentando saber se o médico estava namorando alguém. Ela disse ainda que Maria Suely era temperamental. A mãe de Jacqueline, Silmara Carneiro Lobo, uma das 11 pessoas que prestaram depoimento no inquérito, contou que a filha constantemente vinha sendo ameaçada pela ex-mulher de João Bento, depois que os dois iniciaram o namoro.


