Instituto terá cego na presidência pela 1ª vez
de Curitiba
Marcelo Almeida/Folha de LondrinaAbreu: Primeira vez que os cegos podem votar e serem votadosO Instituto Paranaesnse de Cegos elegeu, no último domingo, o primeiro presidente cego da instituição. O advogado e professor Antonio Luiz de Abreu foi eleito pela grande maioria dos associados, concorrendo com chapa única. Dos 235 votos, Abreu obteve 229, apenas cinco pessoas votaram em branco e uma anulou o voto.
Desde setembro o IPC é gerido por um administrador judicial. Os conflitos de interesses entre os cegos e a ex-presidenta Therezinha Prestes fez com que um grupo ficasse acampado de 31 de março a 16 de setembro no canteiro central da Avenida Visconde de Guarapuava, esperando o afastamento da diretoria.
Para a nova eleição, foi preciso uma modificação no estatuto da entidade. Em 58 anos de existência é a primeira vez que os cegos podem votar e serem votados. Esta foi uma conquista marcante. Agora teremos muito trabalho pela frente e queremos inclusive acabar com o termo deficiente, que é muito abrangente e inclui os cegos, os surdos e paraplégicos, associando com deficiência mental. Abreu sugere o termo sem visão sensorial.
O clima era de euforia ontem no IPC. Segundo o novo presidente, a plataforma para os próximos quatro anos inclui informatização da administração do IPC; entendimentos com a Cohab e Cohapar para viabilização de campra de casass e terrenos e também pacerias com o Senai, Sesi e Sesc para qualificação profissional.
Entre as propostas estão ainda a implantação de uma gráfica em braile em convênio com entidades públicas e particulares, nacionais e estrangeiras. Deverá ser criada uma comissão para estudar a localização definitiva da sede do IPC. Atualmente o instituto está num prédio ao lado do edifício interditado desde março. Nos fundos funciona a Escola Osny Macedo Saldanha que deverá ampliar as turmas de 1ª a 4ª série para as de 5ª a 8ª série.





