Instituto oferece 2º grau para surdos
Dorico da SilvaAlfabeto comumOliveiros Sucupira, Divina Mara Sucupira, Diana Kyosen e Teiliane Borges conversam na linguagem dos sinais: aprendizado e ajudaO acesso ao 2º grau ficou mais fácil para os portadores de deficiência auditiva em Londrina. Eles agora poderão concluir o ciclo de estudos no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles). Estamos felizes com essa conquista porque ela significa um obstáculo a menos na vida dos portadores de deficiência auditiva. Eles estão um passo mais perto do direito ao acesso ao ensino superior, afirma a diretora da entidade, Rosalina Franciscon. A implantação do 2º grau vinha sendo reivindicada há mais de três anos pelo Instituto.
A diretora explica que muitos alunos do Iles que concluiam a 8ª série não conseguiam prosseguir os estudos nas redes pública e privada de educação. Infelizmente a maioria das escolas e professores ainda não tem estrutura e preparo para ensinar o portador de deficiência auditiva , lamenta Rosalina Franciscon. Ela explica que, dependendo do grau de deficiência auditiva, a pessoa não consegue acompanhar uma aula onde o professor não tem, por exemplo, a preocupação de falar olhando de frente para os alunos.
São frequentes os casos de alunos excelentes que desistem de continuar os estudos porque não conseguiam acompanhar as aulas, diz. A diretora do Iles observa que o portador de deficiência auditiva que ingressa no segundo grau já superou as dificuldades mais sérias: está alfabetizado, domina a linguagem de sinais e a labial. Ele só precisa de atenções simples que dependem da boa vontade do professor.
Este ano o Iles vai trabalhar com apenas uma sala de 2º grau. Das 20 vagas criadas, 16 já estão preenchidas, sete delas por alunos que concluiram a 8ª série no institituto, no ano passado. A maioria dos outros nove inscritos é composta por ex-alunos do Iles que resolveram aproveitar a possibilidade de voltar a estudar. Os sete professores que vão lecionar no 2º grau do Iles são especializados.
O Iles foi fundado em 1959 por Odésio Franciscon, ainda hoje presidente da entidade. Começamos com uma sala pequena do então Grupo Escolar Benjamim Constant. Naquela época nem sonhávamos em chegar a tanto, conta alegre. Em 69, o instituto se mudou para sede própria, no bairro Aeroporto (zona leste). Hoje o instituto tem capacidade para atender até 150 alunos em período integral ou 300 em período normal de aulas.
Em 79, o Iles implantou o ensino de 5ª a 8ª série. Rosalina Franciscon diz: Perguntaram se já estamos pensando em criar uma faculdade para portadores de deficiência auditiva. Respondi que ainda não. Mas o que espero mesmo é ver as escolas e faculdades adaptadas e receptivas aos portadores de deficiências. Nossa meta é integrar os deficientes, e não separá-los da comunidade.
Teiliane Kelly Borges, 21 anos veio de Itumbiara (GO) só para poder cursar o 2º grau no Instituto Londrinense de Educação (Iles). Deficiente auditiva de nascença, ela está hospedada na casa da família Sucupira, onde pretende ficar até a conclusão dos estudos. Animada, ela explica, através de sinais, que quer fazer o curso superior, formar-se professora e especializar-se em educação de deficientes auditivos. Depois pretende voltar para sua cidade para ensinar.
A entrevista só foi possível com a ajuda de Duyts Sucupira, 17 anos, filha de Oliveiros e Divina Mara Sucupira. O casal é portador de deficiência auditiva, mas os três filhos têm audição normal. Teiliane conta que em Itumbiara não existem ensino especializado ou salas especiais, apesar do grande número de portadores de deficiência auditiva. Os portadores de deficiência que querem estudar têm de enfrentar as salas de aula da rede regular de ensino.
É praticamente impossível acompanhar as aulas e a maioria das crianças desiste e sai da escola. Muitas vezes elas não conhecem nem a linguagem de sinais, afirma Teiliane. Ela teve mais sorte. Pude contar com o apoio da família de Divina Mara, que me ensinou a linguagem dos sinais. Quando Divina Mara estava na cidade, ela me ajudava reforçando o que eu não tinha conseguido aprender na sala de aula.
Apoio da família e de amigos é indispensável. Diana Kyosen, 13 anos, sabe disso. Portadora de deficiência auditiva, ela frequenta o Iles desde os sete meses e cursa atualmente a 7ª série. O irmão de Diana, Rubens, de 15 anos, começa este ano o 1º colegial, também no Iles.
A família de Diana mora em Jacarezinho (Norte do Estado). Todos os dias de manhã, os pais viajam de ônibus até Londrina e levam os filhos para a escola. Os pais de Diana também são deficientes auditivos. Rubens e Diana também já definiram sua profissão. Os dois querem cursar a faculdade de Computação.
Em Londrina, o ensino público está preparado para receber portadores de deficiência. A opinião é da coordenadora da educação especial do Núcleo Regional de Ensino (NRE), Maria Amélia Romero. Ela explica que 18 escolas estaduais da cidade oferecem 24 salas com professores especializados para atender aos portadores de deficiência.
A coordenadora informa, no entanto, que para se inscrever na rede regular de ensino, o portador de deficiência precisa passar por uma avaliação. Sem esta avaliação não podemos definir o tipo de atendimento que ele precisa. Se pode ou não acompanhar as aulas com os outros alunos ou se precisa estudar em salas especiais, esclarece. Quando o aluno apresenta condições de participar das aulas, o professor recebe treinamento e orientação especiais.
Maria Amélia Romero acrescenta que o Governo Estadual está dando prioridade à integração do portador de deficiência no ensino regular. Um dos investimentos previstos para este ano é a implantação de salas de reforço escolar para os portadores de deficiência.





