Instituto Médico-Legal de Cornélio está sem médicos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de agosto de 2001
Benedito Teles<BR>De Santo Antônio da Platina 
O Instituto Médico-Legal (IML) de Cornélio Procópio está paralisado há 20 dias por falta de médicos. No dia 3 deste mês, os dois legistas que ocupavam a função pediram demissão do cargo. A justificativa deles é que falta estrutura adequada e o salário, estimado entre R$ 600,00 e R$ 800,00, é incompatível com a função. É a segunda paralisação do órgão este ano. No primeiro semestre de 2001 o IML ficou fechado durante quatro meses, entre janeiro e abril, por falta de médicos.
O IML de Cornélio é responsável pelo atendimento de 15 municípios da região. De acordo com funcionários, os médicos atendiam cerca de 120 casos por mês. Um dos médicos que pediu demissão, Marcos Valério Costa, disse que o instituto não tem estrutura para proporcionar o atendimento adequado. Segundo ele, o IML funciona em uma sala no interior da delegacia somente com cadeiras, uma escrivaninha e mesas. ''Não temos nem material ou luvas para os exames. O IML funciona através de doações da comunidade ou das próprias funerárias'', explicou.
O proprietário de uma funerária em Cornélio Procópio, Ademir Tomazi, confirma que o material utilizado pelo IML é cedido pelas funerárias e reclama da ausência de investimentos. ''O IML daqui só tem três mesas, baratas e pernilongos'', lamentou.
O médico Cleocides Luiz Carvalho, que também pediu demissão, acredita que a Secretaria de Segurança Pública terá dificuldades para contratar novos profissionais, por causa do salário que está sendo oferecido.
Em Curitiba, o delegado chefe da Divisão Policial do Interior, Clóvis Galvão Gomes, disse que a a delegacia de Cornélio Procópio está em negociação com alguns médicos e que o problema deve ser solucionado ainda esta semana.


