Arquivo FolhaCaso sérioA doença está associada basicamente à falta de higiene. Turistas estrangeiros são vacinados antes de embarcar para o Brasil. Rede pública não dispõe de vacinas contra a hepatite A.‘‘A hepatite A é tão perigosa quanto a hepatite B’’. A afirmação é do médico Marcial Carlos Ribeiro, diretor do Instituto do Fígado e curador da Fundação de Estudos das Doenças do Fígado, de Curitiba. Ele se mostrou preocupado com a declaração do secretário municipal de Saúde de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), Arnaldo Batista Januário, de que a hepatite A é uma doença de verão e não oferece riscos graves à população.
O município de Sertanópolis está passando por um surto de hepatite A. Nos últimos dois meses foram registrados mais de 50 casos da doença, principalmente entre crianças em idade escolar. A secretaria de Saúde não tem vacinas contra a doença e já anunciou para dezembro uma campanha de vacinação contra a hepatite B.
‘‘A hepatite A é endêmica no país, existe sempre. Ela é uma doença aliada à falta de higiene. Tem remédio para isso, mas não pode ser considerada benigna, como a saúde pública vem tratando há décadas’’, informou. Ele informa que a hepatite A é fatal, numa proporção de um para 500 casos. ‘‘Ela é encarada como doença comum porque ela evolui e se autocura. Só que as pessoas infectadas pelo vírus A estão pré-dispostas a outras enfermidades, principalmente as relacionadas ao sistema imunológico’’.
Ao contrário do que as pessoas acreditam, a hepatite A é mais grave nos adultos do que nas crianças. Enquanto nas crianças a doença leva de 15 a 30 dias para se curar, no adulto pode levar até um ano e meio. ‘‘Os adultos estrangeiros quando vêm para o Brasil são vacinados contra a hepatite A antes da viagem. Só no Brasil é que a doença não é encarada como grave’’, ressalta.
Marcial Ribeiro cita a contaminação da água com esgotos residenciais como um dos focos da doença. A incidência é maior em municípios que sofreram enchentes. ‘‘A evidência da hepatite A é no verão, porque o acúmulo de pessoas em locais como praias e lagoas é maior. Nas piscinas é muito raro, pois elas são tratadas com hipoclorídrico de sódio, que mata o vírus’’. As praias paranaenses são excelentes focos de contaminação por causa da quantidade de esgotos lançados in natura no mar.
Ele descarta, no entanto, que os alimentos possam ser contaminados pela irrigação com água contaminada, como é o caso dos hortifrutigranjeiros. O alimento só será contaminado se for manipulado por uma pessoa que não tenha cuidados com a higiene. O vírus pode estar escondido embaixo das unhas. Já os crustáceos são focos da doença, pois o vírus pode ficar encubado.
Como o vírus fica encubado de 15 a 30 dias no organismo humano até se manifestar, as pessoas podem contaminar outras sem saber. Quando a hepatite A se manifesta, na maioria dos casos, as pessoas apresentam sintomas como diarréia e estado gripal. ‘‘Só 25% das pessoas icterícia e mudança da cor da urina e das fezes’’.
O maior remédio, segundo Marcial Ribeiro, é a higiene e a vacina para prevenir. Ela pode ser adquirida nas clínicas particulares. O médico critica a saúde pública em dar valor somente à vacinação contra a hepatite B, que é transmitida através do sangue e relações sexuais. ‘‘Nos locais onde há focos da doença é importante que as famílias façam um sacrifício e vacinem todos, principalmente as crianças desnutridas, que correm grande risco’’, orienta. A vacina para crianças custa em torno de R$ 35,00 e para adultos, R$ 50,00.

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