Instituto de Criminalística local
vai utilizar detector de mentiras
Áureo Nogueira

Paulo Wolfgang
Investigador virtualDetector de mentiras: usado pela polícia secreta de IsraelO Instituto de Criminalística de Londrina é o primeiro órgão policial brasileiro a fazer uso do Truster, detector de mentira criado pelo Mossad (polícia secreta de Israel) e utilizado também por grandes companhias americanas em rodadas de negociações. As informações são do subchefe do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, que ontem apresentou o equipamento à imprensa.
O detector de mentiras é um software (programa) que roda em computador especialmente configurado e que conta com microfone especial, placa de som específica e fax modem que possibilita a gravação de conversas telefônicas. O equipamento foi doado pela Associação dos Funcionários do Instituto de Criminalística de Londrina e Região (Aficim), que o adquiriu por R$ 2.550, em Montevidéu (Uruguai) do representante do fabricante israelense para a América Latina. ‘‘O representante uruguaio nos garantiu que somos os primeiros clientes brasileiros’’, destaca Oliveira Filho.
Segundo o perito criminal do setor de computação da Criminalística, Daniel Felipetto, o detector de mentira considera o estado emocional do depoente e verifica os subterfúgios ou imprecisões de suas respostas, nervosismo, stress. ‘‘O programa dispõe de quatro gráficos, que consideram o grau de excitação diante da situação de se submeter ao teste; a variação do stress durante o procedimento; a reação quando a pergunta é sobre questões pessoais, que quase sempre provocam constrangimento; e, enfim, se o entrevistado está mentindo’’, explica. Ele observa que há um quinto gráfico, sintetizador dos outros quatro. ‘‘Para indicar se o entrevistado está mentindo, o equipamento considera todo seu estado emocional, sintetizando as reações detectadas pelos gráticos.’’
O perito diz ainda que, para passar pelo detector de mentiras, o depoente tem que ser preparado. ‘‘O estado emocional da pessoal deve ser compatível com o teste. O detector de mentiras não é um instrumento de pressão para arrancar confissões a fórceps. O teste deve ser realizado como se entrevista fosse feita a um psicólogo’’, ressalva. ‘‘ Assim como uma pessoa pode identificar se outra está nervosa ou calma, o aparelho detecta se o interrogado está mentindo. É inteligência virtual.’’
O subchefe do instituto informa que, em aproximadamente 40 dias, o equipamento estará à disposição da Polícia e do Judiciário. ‘‘Já fizemos 19 testes para verificar na prática o funcionamento do equipamento, e pretendemos fazer mais umas 200 ou 300 simulações. Assim, vamos conhecer detalhadamente as possibilidades oferecidas por ele e construir um interrogatório modelo’’, afirma Oliveira Filho. De acordo com ele, o trabalho deve contar com o apoio de um psicólogo da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘O aparelho se demonstrou muito preciso nos testes já realizados.’’

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