Curitiba

Marcelo AlmeidaA datiloscopista Maria Helena, que ganhou fama de carrancuda, aprende a lidar com o mau-humor na rotinaO tédio virou inimigo comum para os 300 funcionários do Instituto de Identificação do Paraná, em Curitiba. Todos estão matriculados em um curso da Escola de Polícia Civil para melhorar o ambiente de trabalho. ‘‘Aprendemos a olhar nosso serviço de rotina com outros olhos’’, revela a chefe da divisão técnica, Márcia Thomaz. A afirmação já é um reflexo das aulas sobre qualidade total, iniciadas nesta semana pela socióloga Maria de Lourdes Montenegro.
A realização do curso é uma iniciativa da própria diretoria do instituto. ‘‘Nós fizemos uma pesquisa interna junto aos funcionários da Capital e do Interior para medir o nível de satisfação’’, conta o delegado adjunto Luiz Fernando Artigas Júnior. ‘‘O levantamentou apontou que os servidores estavam sem motivação e descontentes com o ambiente de trabalho’’, completa.
‘‘O curso é para que o funcionário melhore a forma de tratamento, por exemplo: em vez de falar ‘me dê essa p... aí’, deve-se dizer ‘por favor, você poderia me passar aquele documento?’’’, explica Artigas. Márcia concorda. ‘‘As aulas estimulam os colegas a ajudar um ao outro’’, diz ela, que analisa processos de identidade com problemas.
A delegada Leonídia Hecke, que cuida do setor de pessoal, faz uma boa avaliação dos primeiros resultados. ‘‘Percebi que os funcionários que já fizeram o curso voltaram mais animados’’, constata. É o caso da datiloscopista Maria Helena Fiúza, que revisa os processos de carteira de identidade antes da emissão do documento. ‘‘Nunca fui mau-humorada, apenas me concentro muito no trabalho’’, defende-se.
‘‘Eu também dou risada e brinco’’, afirma Maria Helena. ‘‘Achei que o curso ia ser uma chatice e acabou sendo bom’’, confessa a datiloscopista. Os servidores foram divididos em turmas de 40 alunos. Até o dia 21, todos deverão ter assistido às aulas para sorrir mais, cumprimentar colegas e atender bem ao público.

mockup