Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
As novas exigências do mercado de trabalho têm feito as universidades refletirem sobre o vestibular, tradicional método de seleção para o ingresso em cursos de nível superior. Algumas instituições já aderiram a critérios alternativos como, por exemplo, o processo seletivo. Uma delas é o Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), que há três anos adotou o sistema.
Segundo a relações públicas, Daniela Budzinski, o exame de seleção no Cesulon é composto por uma prova de conhecimentos gerais com peso dois e outra de conhecimentos específicos de peso três. ‘‘Existe a possibilidade de no futuro incluirmos a nota do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) na média final, mas não há nada definido ainda’’, afirmou.
O Cesulon oferece 790 vagas nos cursos de arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, tecnologia em processamento de dados, enfermagem, nutrição, psicologia, ciências biológicas, pedagogia e administração. As inscrições terminam no dia 13 de janeiro e as provas serão realizadas nos próximos dias 15 e 16. O resultado sai no dia 19 e a matrícula pode ser feita nos dias 20 e 21.
A Universidade Norte do Paraná (Unopar) também utiliza o processo seletivo para selecionar seus alunos. Ela, porém, considera o resultado do Enem como 30% da nota do vestibular, caso o candidato solicite.
‘‘O Enem é um método válido no processo de aprimoramento do ensino. Ele é importante porque aponta as falhas e as maiores dificuldades das instituições. Assim como ele o processo seletivo é uma alternativa ao vestibular tradicional e uma tentativa de adequação aos novos tempos’’, disse a pró-reitora da Unopar Wilma Jandre Melo, que também é presidente da Comissão de Vestibular. As inscrições para o vestibular da Unopar terminam na próxima segunda-feira. As provas serão realizadas de 13 a 15 de janeiro.
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) aos poucos também tem feito mudanças em seu exame vestibular. Segundo o presidente da Comissão Permanente de Seleção (Copese), Márcio Almeida, a tendência é diminuir a exigência sobre a memorização e estimular o raciocínio interdisciplinar, o que já acontece há algum tempo com a Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP).
‘‘O processo seletivo é mais trabalhoso e não tem muita eficácia. Por enquanto, vamos manter o sistema de seleção atual. Considerar o Enem ainda não está em nossos planos’’, disse Almeida.
Na opinião dos vestibulandos Lucas Costa Novis e Guilherme Arrebola as universidades deveriam deixar o candidato optar entre o vestibular e a análise do histórico do ensino médio.
‘‘Não é justo alunos de escolas de níveis diferentes disputarem em pé de igualdade a mesma vaga com base no histórico escolar. O vestibular também não é a maneira mais correta porque o nervosismo e a pressão acabam influindo no desempenho do aluno’’, justificaram.
Cassimélia Prado acredita que a tendência do vestibular é desaparecer. ‘‘Não é o melhor método para avaliar as condições do candidato’’, afirma a candidata a direito. Diego Garcia Nogueira pensa diferente. Para ele, o vestibular tradicional não pode ser substituído pela análise de currículo porque isso não democratizaria o acesso às universidades. ‘‘A menos que a qualidade no sistema de ensino público melhorasse e pudesse competir com as escolas particulares’’, complementou.