Instituições para idosos estão superlotadas
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Há nove anos, Liberalina da Silva Cardoso, de 69 anos, escolheu se mudar para o Lar Maria Tereza de Vieira, em Londrina. Solteira, sem filhos ou outros parentes, ela conta que tomou a decisão depois que a outra senhora com quem dividia uma casa faleceu.
"Tenho só uma prima em Londrina, não quis ficar morando sozinha e então escolhi vir para o Lar. Aqui faço tricô, crochê e agora estou também aprendendo a fazer mosaico com pastilhas. De vez em quando ajudo na cozinha, escolhendo o feijão ou fazendo um bolo. Divido o quarto com outras três mulheres e às vezes saímos em grupo, para fazer algum passeio. Para mim é muito bom poder ficar aqui, porque sempre tenho companhia", conta.
Assim como Liberalina, são muitos os idosos que por falta de parentes ou por maus tratos precisam morar nas instituições de longa permanência. Em Londrina, três instituições mantêm convênio com a prefeitura. De acordo com Fábia Melhado Bera, gerente de Atenção à Pessoa Idosa, são 185 vagas, sendo 87 masculinas e 98 femininas, distribuídas no Lar Maria Tereza Vieira, Asilo São Vicente de Paulo e Lar dos Vovôs e Vovozinhas.
"Nossa gerência atende denúncias de violência contra o idoso, seja física, psicológica ou situações de negligência. Nos casos em que essa pessoa não tem mais ninguém na família que possa olhar por ele e sendo um caso de baixa renda, encaminhamos para uma dessas instituições. O grande problema é que não há vagas para todos", explica Fábia.
A gerente diz que assim como é feito com as crianças, no caso dos idosos a primeira alternativa é tentar verificar a possibilidade de um outro parente ficar com a pessoa, ou afastar o agressor da residência.
"Um dos problemas que enfrentamos é que geralmente há um vínculo afetivo, então o idoso não faz a denúncia. Ele sabe que não tem mais ninguém e prefere continuar nessa situação a ir para uma instituição. Muitos dos casos de violência envolvem usuários de álcool e drogas, que querem dinheiro do idoso. Quando necessário, precisamos encaminhar os casos para o Ministério Público, para que providências mais sérias possam ser tomadas", conta ela.
Fábia conta que não é incomum idosos aparecerem na secretaria do idoso pedindo para serem internados nas instituições de longa permanência. "As mulheres vivem mais e também cuidam mais dos seus familiares, mas nem sempre tem quem cuide delas. São elas também que têm mais Alzheimer e Acidente Vascular Cerebral (AVC), por isso o número de vagas para mulheres é maior."
Atualmente, há 15 idosos esperando por um lugar em uma das três instituições. Segundo a gerência, no ano passado foram 176 solicitações de internamento e neste ano, no período entre janeiro e julho, já foram 91.
"Há casos de pessoas esperando em hospitais, porque não têm para onde ir. Quando há alguém que possa cuidar desse idoso, fazemos um acompanhamento. Esperamos para o próximo ano criar mais cinco vagas. As pessoas que vão para essas instituições permanecerão lá até o fim da vida. Com o envelhecimento da população, iremos precisar de menos creches e de mais casas para idosos", afirma.
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