Instituições estão adiantadas em adaptações
Curitiba - Se comparados a outros estabelecimentos comerciais, os bancos são os mais avançados na questão de acessibilidade de deficientes. É o que diz Vivian Curial Baeta de Farias, engenheira civil coordenadora do programa de acessibilidade do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). De acordo com Vivian, os bancos são os estabelecimentos que mais têm procurado adaptações, pelo menos com relação a barreiras arquitetônicas. A procura deve-se à aplicação de determinações impostas pelo Banco Central em 2001.
É difícil encontrar agências que não estejam se adaptando. Muitas já têm rampa, plataformas elevatórias... O que não significa que todas estejam cumprindo NBR 9.059, diz Vivian, referindo-se à norma emitida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) sobre acessibilidade. Mesmo com a adaptação prévia das agências, a engenheira reconhece a situação como longe do ideal. A ideal é o acesso universal: todos tendo acesso a tudo, fazendo com que as limitações desapareçam, diz.
O deficiente visual Jaime de Oliveira, 38 anos, que trabalha como revisor de imprensa Braille na Associação dos Deficientes Visuais do Paraná (Adevipar), concorda. Hoje, já existe todo um atendimento especial em bancos. Há ajuda dos funcionários, fila prioritária e, em algumas agências, caixas eletrônicos adaptados, conta. Mesmo assim, Oliveira, que tinha visão parcial até os 24 anos e há 14 tem deficiência total por causa de um glaucoma congênito, há uma reticência dos bancos em fazer todas as adaptações. Eles acham que vai ficar caro, acredita.
O revisor diz que hoje o principal direito que lhe é negado dentro de um banco é o acesso a seu extrato bancário em Braille. O extrato é um documento. Mesmo dando para uma pessoa de confiança ler, estão impressas ali coisas pessoais. É uma invasão de privacidade. Ter direito ao extrato em Braille é acesso à informação e, principalmente, questão de independência, defende. Ao saber do acordo firmado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e pelo Ministério Público (MP) federal, Oliveira comemorou. E lamentou também: infelizmente no Brasil é assim. Primeiro vem o punitivo, depois a conscientização. (T.A.)





