Cooperação, interação e reaproximação foram as palavras que deram o tom, ontem à tarde, à primeira reunião entre a nova diretoria da Escola Oficina (zona norte) e os pais dos alunos, desde a encampação do local pela prefeitura de Londrina. Além deles, estiveram presentes também as secretárias municipais de Educação, Magda Tuma, e Assistência Social, Maria Luiza Rizotti.
Em meio a olhares atentos e apreensivos dos cerca de 40 pais e mães com filhos na instituição, a nova diretoria expôs a rotina de atividades transitória que entra em vigor a partir desta segunda-feira, com as principais mudanças implantadas. Em janeiro de 2004, o município assume de forma efetiva. ''De nossa parte, aumentam as oficinas arte-educativas e semi-profissionalizantes, ao mesmo tempo em que analisaremos a expectativa dos alunos'', afirmou a secretária Maria Luiza, citando, entre outras, as novas oficinas de capoeira expressiva, dança de rua e economia doméstica. De acordo com ela, a expectativa é atender pelo menos 120 crianças e adolescentes de sete a 18 anos até dezembro. Já as famílias, que antes participavam da oficina de reciclagem, extinta, também devem receber assistência. ''Todas terão um relatório social e terapia comunitária. A idéia é incluí-las em programas sociais'', explicou.
Contudo, uma das principais modificações parece ser na escolaridade, haja vista que os alunos poderão ser matriculados em escolas mais próximas de suas casas, em um período, e participarem das oficinas no bairro, ou mesmo na Escola Oficina em outro. Quem afirma é a secretária Magda Tuma, segundo a qual qualquer medida dessa fase de transição será apenas para reorganizar o trabalho. ''Fizemos uma avaliação de cada aluno atendido aqui e verificamos que havia muitos deles, juntos, mas em diferentes idades e níveis de conhecimento'', comentou. O projeto pedagógico, um dos pontos criticados durante a gestão da extinta Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), também muda. ''Estamos personalizando o ensino, com atividades mais desafiadoras, conforme a realidade de cada educando'', definiu. Além disso, os alunos com idades a partir de 14 anos podem ser encaminhados à educação de jovens e adultos, ao passo que os de 11 e 12 participarão das ''oficinas de letramento'' etapa intermerdiária ao ensino regular.
Terminada a reunião, o clima entre algumas mães era bem diverso. Otimistas, algumas acreditam que as medidas foram positivas. ''Faz muito tempo que quero mudar minha filha para uma escola mais próxima de casa. Parece que agora vai dar certo'', apontou a catadora de papel Lucimar Custódia de Melo, moradora do Jardim União da Vitória (zona sul). Mais desconfiada, a dona de casa Luzia Garcia Gomes preferia tudo como estava, antes da municipalização. ''Meus dois filhos chegam em casa e dizem que agora os alunos desobedecem muito aos educadores; estou insegura'', confessou.

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