A psicóloga Solange Mezzaroba, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), doutora em Educação, observa que a violência no ambiente escolar deve ser avaliada por diversos ângulos. ''As questões conflituosas podem ser fruto de atos de indisciplina, mas certamente têm outras naturezas envolvidas. O educador precisa de sensibilidade para identificar um comportamento diferente, pois ninguém muda de um dia para outro'', pontua.
Em decorrência de fatores como aumento dos alunos e da diversidade de segmentos nas escolas, ela reforça que os estudantes e as próprias instituições não estão preparados para enfrentar as diferenças. ''Por isso, a intolerância e o preconceito acabam resultando no individualismo que presenciamos, uma reprodução nas escolas do mundo competitivo que pode culminar nestes atos. Temos, entretanto, que ir além e avaliar se isso é realmente o que estaria levando às atitudes violentas.''
Para a psicóloga, a mudança de comportamento pode ser obtida com a construção do que chama de ''ambiente sócio-moral''. ''Se quisermos que as coisas mudem, precisamos de um ambiente cooperativo, em que as relações não sejam de autoritarismo, mas de autoridade. A criança não deve obedecer apenas para fugir da punição, mas porque acredita que aquilo será bom para ela'', diz.
E se as regras de bom convívio precisam ser estabelecidas em parceria, a solução dos problemas também depende de todos. ''As instituições devem acionar a rede de serviços que dispõem, como Polícia Militar, Conselho Tutelar, Centros de Ressocialização. Isso reforça a importância em se pensar além do problema. Senão, iremos sempre apagar incêndio.'' (Marian Trigueiros/Reportagem Local)

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