Instituição abriga pessoas em tratamento médico
O Albergue Noturno Raul Faria Carneiro abriga necessitados em diversas situações. Além dos moradores de rua de Londrina, que buscam um teto e alimentação principalmente no inverno, a instituição recebe também viajantes e pessoas que passam por tratamento médico. Este é o caso de Luís Carlos Lopes da Silva, 33 anos, que mora no albergue há um ano e três meses. Vítima de uma bala perdida, ele se internou para fazer tratamento médico. Desde então, sua rotina diária tem sido ''do hospital para o albergue, do albergue para o hospital.''
Antes do incidente, Lopes era garçom de churrascaria. Agora, está impossibilitado de exercer o ofício. ''Quando abandonar a muleta, pretendo terminar o tratamento e procurar um emprego.'' Outro objetivo é ajudar a entidade como voluntário, trabalho que considera muito importante.
Já Benjamin Lopes dos Santos, 44 anos, está interno desde o início de março. Está vivendo no albergue para receber tratamento médico. Natural de Tamarana, ele não tem família na cidade. Neste período no Albergue, busca ajudar os voluntários e funcionários nos serviços gerais. Seu objetivo é terminar o tratamento e procurar emprego para ''tocar a vida''.
Interno há três meses, Manoel Pedro da Silva, 66 anos, veio do Espírito Santo para o Paraná em 1955. Morou em diversas cidades do interior do Paraná, sempre trabalhando como lavrador. Manoel Pedro buscou o Albergue Noturno para tratar a perna quebrada e buscar emprego, já que ainda não é aposentado. Sem familiares na cidade, diz que tem uma filha no Rio de Janeiro, mas perdeu contato com ela ''faz muitos anos''. ''No possível, a vida aqui não é ruim. Me alimento bem, durmo bem, tenho remédio. Não tenho contrariedade com ninguém''.
Maria Neucinda, 71 anos, é de Santos mas diz já se considerar uma ''Pé Vermelho'' também. Ela veio para Londrina há cinco anos, mas com a morte do companheiro, com quem morava no Conjunto João Paz, procurou o albergue. ''Meu companheiro morreu na minha mão, depois disso fui obrigada a sair de casa'', relata. ''Mas não sou sozinha porque tenho Deus. Não troco Ele por ninguém. Ele é meu marido, amigo, companheiro.'' Ela afirma gostar do lugar: ''É um lugar tranquilo, apesar de sempre ter passageiros por aqui, o que eu não gosto muito. Mas me tratam bem aqui. Tem alimentação na hora certa, tudo bem''.





