Instalação de ILS-3 é criticada
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Dimitri do Valle 
A Vasp reforçou suas restrições a uma provável implantação do equipamento ILS-3 para permitir aterrisagens com visibilidade zero no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. A assessoria de imprensa da companhia informou que aparelho semelhante é utilizado apenas na orientação de aeronaves de grande porte, como o MD-11, destinado a viagens internacionais.
É como querer fazer um lindo shopping dentro de uma favela, comentou um comandante da Vasp, referindo-se a um hipotético funcionamento do ILS-3 no Afonso Pena. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, nem o aeroporto internacional de Londres, onde os nevoeiros fazem parte da paisagem cotidiana, dispõe do equipamento. A Vasp quer a implantação do ILS categoria 2.
O major-aviador reformado da Aeronáutica, Valdemiro Muniz Teixeira de Freitas, 74 anos, que mora em Curitiba, também se posicionou contra a instalação do ILS-3. A pista do Afonso Pena é muito curta para tal tipo de operação, necessitando ser ampliada em mais ou menos mil metros, tendo o inconveniente de ter sua estação de passageiros muito próxima da pista principal, argumentou.
Para Freitas, o ILS-3 é um aparelho que, ao entrar em funcionamento, não pode sofrer panes, sob o risco de acontecer uma tragédia aérea. Ficaremos sujeitos ao perfeito funcionamento do sistema, tanto o de terra como o dos aviões. Uma simples falha de um ou de outro causará uma catástrofe de grande porte, com muitos mortos, em virtude da queda de uma aeronave de grande porte, alertou.
Com o ILS-3 em funcionamento, Freitas prevê que a manobra de aproximação da cabeceira da pista terá de ser cumprida a baixa altura pelo centro da cidade. Segundo ele, o aparelho ainda pode sofrer interferências das ondas emitidas por telefones celulares, rádio amadores e estações de rádio, provocando um grave descontrole nos instrumentos da aeronave.
Curitiba será cobaia por ser a primeira cidade brasileira a possuir o ILS-3, afirmou Freitas. Ele alertou que as populações vizinhas ao aeroporto também sofrerão com o medo de alguma falha que o ILS-3 poderá provocar. Existe a preocupação psicológica constante e o estresse dos habitantes, disse.


