Dezenas de moradores do distrito de São Luiz, Zona Sul de Londrina, fizeram um protesto na manhã de ontem contra a instalação da indústria de baterias automotivas GNB no local. Carregando várias faixas, o grupo se reuniu na praça central do distrito e seguiu a pé por aproximadamente dois quilômetros, até o terreno cedido pelo município para o empreendimento.
No sábado passado foi realizada reunião de outros moradores com representantes da fábrica e do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (IDEL) para conhecer o projeto, que prevê inicialmente a reciclagem e, posteriormente, a produção de baterias. Na ocasião, o presidente da associação de moradores do distrito, Sílvio Dutra Vieira, declarou que foi a primeira vez que os moradores tiveram a oportunidade de conhecer o projeto. Atualmente, a população está dividida entre os que apóiam a iniciativa e entre os que temem os prejuízos ambientais que poderiam ser causados pelo chumbo utilizado no processo industrial.
O maior temor do grupo que fez a manifestação de ontem é com a poluição das nascentes do Rio Taquara e das áreas de cultivo agrícola da região. ''Moro aqui há mais de 50 anos e minha preocupação é muito grande. Se um dia eu tiver que sair daqui, quero que seja por livre e espontânea vontade, e não para fugir da poluição. A maioria da população não quer esta fábrica aqui, e o povo tem de ser ouvido'', argumentou o produtor rural José Delmônaco Neto, que chegou a se emocionar ao falar em nome dos demais moradores.
Outro produtor, Brigílio Nascimento Moraes, teme pela desvalorização das terras da região, e lembrou que a área de 15 alqueires doada pelo município à GNB (antiga Reifor) tinha como destino inicial a construção de uma Vila Rural, que nunca saiu do papel.
A intenção dos moradores é pressionar a Câmara de Vereadores a aprovar projeto de lei que prevê a revogação da doação do terreno, já acatado em primeira discussão no final do ano. O projeto é de autoria do vereador Marcelo Belinati (PP) e deve entrar em pauta novamente no início de fevereiro.
Em dezembro foi noticiado que a GNB havia suspendido os investimentos no distrito em função da polêmica em torno do assunto. Ontem, porém, a consultora de gestão ambiental da indústria, Liane Lima, esclareceu que os investidores apenas aguardam a liberação da licença de instalação por parte do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para presseguir com o projeto. ''Não existe a possibilidade de a GNB se instalar sem os devidos cuidados ambientais.'' O pedido de licença foi protocolado pela empresa em setembro do ano passado.
A empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que 7 alqueires do terreno são de preservação ambiental e que em cada lateral do terreno haverá uma cortina vegetal de 20 metros. A empresa já plantou cinco mil mudas de eucalipto no local, cercou a área e construiu uma caixa d'água. ''O manancial existente na região será preservado, já que o processo produtivo não utiliza água de nascente'', garantiu a consultora.
A GNB é uma empresa de capital misto, uruguaio e argentino, e pretende investir R$ 20 milhões na instalação da nova fábrica, progressivamente, ao longo de um período de sete anos. A primeira etapa, de instalação da recicladora, deverá durar oito meses e gerar 420 empregos diretos no distrito. Atualmente, a empresa está instalada na BR-369, próximo ao Shopping Catuaí, onde, segundo a direção, não há mais condições de expansão.

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