Moradores do Jardim Ouro Branco (zona sul de Londrina) reuniram-se ontem à tarde com o prefeito Jorge Scaff (PSB) para pedir que a prefeitura tome providências no sentido de revogar liminar concedida na última sexta-feira pelo juiz Mário Nini Azzolini, da 10ª Vara Cível, à Global Village Telecom (GVT). A liminar permite a instalação de antenas de telefonia fixa em vários pontos da cidade.
Jorge Scaff argumentou que o assunto já está sendo analisado pela procuradoria-geral do município, que ontem se propôs a prestar esclarecimentos, se necessário, ao juiz que concedeu a liminar. Londrina não possui lei que regulamenta a instalação de antenas de telefonia, por isso a prefeitura não autorizou a GVT a instalar as torres. Para conseguir a permissão, a empresa entrou com mandado de segurança e obteve a liminar.
A decisão de não autorizar mais a instalação de antenas até que o município regulamente o assunto foi tomada pela prefeitura depois que a promotora especial do Meio Ambiente, Luciana Lepre Moreira, enviou ofícios à Secretaria de Obras e Procuradoria-Geral, alertando para estes equipamentos podem causar à saúde da população. Segundo a promotora, a preocupação é que se normatize o assunto antes que se construam várias antenas pela cidade.
Luciana Moreira explicou ainda que uma audiência pública foi marcada para o mês de novembro (provavelmente dia 22), da qual participarão técnicos especializados no assunto e representantes das empresas de telefonia para esclarecer as dúvidas da população. O juiz Mário Azzolini não foi localizado ontem pela Folha para falar a respeito da liminar.
De acordo com assessoria de imprensa da GVT, a empresa assumiu compromisso com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de começar a operar em 24 cidades – entre elas, seis são no Paraná – até o final deste ano. Como em Londrina a construção das antenas estava atrasada em função dos estudos de impacto ambiental pedidos pela Promotoria do Meio Ambiente, a saída foi recorrer ao mandado de segurança.
A assessoria da GVT informou ainda que tem estes estudos prontos, mas não teve a oportunidade de divulgá-los, já que a audiência pública ainda não aconteceu. A rede montada pela empresa em Londrina será formada por um mix de cabos de fibra ótica e antenas para telefonia fixa, que já vêm sendo usadas por várias outras empresas no País e, de maneira geral, funcionam como as de telefonia celular, só que em outra frequência e com capacidade para receber também outros sinais, como fax e Internet.
A assessoria não soube informar os locais onde as antenas serão instaladas, mas antecipou que elas devem estar em áreas residenciais por causa de seu raio de abrangência, que é de cinco quilômetros.
Na última segunda-feira, moradores de oito bairros de Maringá protestaram na prefeitura, cobrando o fim da instalação de antenas de telefonia. Líderes de associações de moradores cobravam a sanção de uma lei aprovada pela Câmara que limita a montagem e operação de antenas de telefonia fixa e móvel nas áreas industriais.

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