A rotina de oito meses puxando embalagens de elevadores com peso médio de 250 quilos trouxe uma consequência grave para a vida do operário Amarildo do Nascimento, 34 anos, de Londrina. Após sofrer um acidente por causa do excesso de peso, ele ficou com um desvio na coluna. O problema traz fortes dores nas costas e nos membros, dificuldade para se movimentar e carregar peso. Apesar da notória incapacidade, Nascimento foi considerado apto ao trabalho pela perícia do Instituto Nacional da Seguraridade Social (INSS).
O acidente aconteceu em julho do ano passado. Em outubro, a primeira perícia realizada garantiu seu afastamento por pouco mais de três meses - período no qual foi beneficiado pelo auxílio-doença. Em 28 de janeiro, ele recebeu alta e retornou ao trabalho. ''Depois de três dias, voltei a sentir fortes dores. Entrei com pedido de reconsideração para continuar recebendo o auxílio, mas eles (o INSS) negaram'', afirmou o operário.
Respaldado pelo atestado do médico com quem faz tratamento, Nascimento não está trabalhando. Por isso, também não recebe o salário de R$ 428,00 com o qual sustenta a esposa e duas filhas pequenas. ''Reprovado'' na perícia do INSS, tampouco tem sido beneficiado pelo auxílio-doença garantido por lei aos segurados do instituto. ''Estou passando humilhação e dificuldade. Para fazer fisioterapia, tenho que emprestar o dinheiro do ônibus'', lamentou. Com as contas atrasadas, ele ''vive de ajuda''. Sem saúde, não têm perspectiva de voltar ao trabalho. ''Não sei mais o que fazer'', lamenta.
Aos 63 anos, Deusdete Pereira da Silva é outro trabalhador que, por problemas de saúde, vive sem renda. O excesso de peso das sacas de grãos que carregou durante toda a vida acarretaram trombose nas duas pernas. O homem, que vive com a filha em dois cômodos alugados por R$ 80,00, sofre com inchaço e enfrenta dificuldades para andar. Para a perícia do INSS, entretanto, é considerado apto ao trabalho.
Entre 1996 e 1997, ele ficou afastado por três meses, recebendo o auxílio-doença. Em janeiro do ano passado, Silva voltou a pleitear o benefício mas recebeu parecer contrário da perícia médica. Atualmente desempregado, vive de bicos como segurança. O trabalhador ainda não tem idade para se aposentar e, por isso, gostaria de se afastar definitivamente por invalidez. ''Não estudei, carreguei peso a vida toda. Ninguém vai me dar emprego'', disse ele, que tem processo pleiteando a aposentadoria na Justiça Federal.

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