Curitiba
O risco de que as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) sejam reconhecidas como doenças ocupacionais apenas nos casos mais avançados, segundo as novas normas técnicas propostas pelo INSS, poderá forçar muitas pessoas a continuar trabalhando mesmo que as lesões já tenham sido diagnosticadas. Algumas entidades sindicais temem que estas novas regras, ainda em discussão em Brasília, levem as doenças ocupacionais a adquirir uma importância menor dentro do sistema de seguridade social.
‘‘Hoje ainda temos alguma segurança’’, diz o diretor do Sindicato dos Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Paraná (Sindpd), Maurício Naufal. Pelas novas normas, serão consideradas como LER apenas as lesões que implicarem no impedimento total dos exercícios normais de trabalho. A regulamentação atual, mais abrangente, caracteriza como LER todos os problemas que gerem redução na capacidade de trabalho - e não apenas nos casos em que houver impedimento do exercício da função. ‘‘Isto pode fazer com que o trabalhador fique cada vez mais desamparado’’, afirma.
O promotor de Defesa de Saúde do Trabalho, Divonzir Valesi, também concorda que a novas normas técnicas propostas pelo INSS possam ser prejudiciais aos empregados. ‘‘Pela nova resolução, muita gente que já possui lesões poderá ser obrigada a trabalhar’’, explica. Hoje, há 93 pessoas já inscritas em programas de reabilitação por LER em Curitiba, a maioria digitadores, datilógrafos e telefonistas. O INSS não soube informar quantos casos já foram registrados no Paraná até hoje.
Pela normas discutidas, a ex-telefonista Cristina Ribeiro, afastada do trabalho desde 1993 - um ano após sentir as primeiras dores provocadas pela LER - ainda poderia estar sendo obrigada a trabalhar. A dor, que começou nos pulsos e passou em seguida aos ombros e à coluna, já obrigou a ex-telefonista a fazer duas cirurgias para liberar os tendões que estavam ‘‘presos’’ entre as articulações. Afastada dos esforços repetitivos, Cristina realiza hoje apenas trabalhos administrativos. ‘‘Mesmo assim, sinto dores até para pentear os cabelos’’, diz.
O médico chefe do Serviço de Atividades Previdenciárias do INSS no Paraná, Everson Alberge Buchi, não acredita que as novas normas propostas pelo instituto impeçam que os trabalhadores com doenças ocupacionais recebam os benefícios previdenciários previstos na lei. ‘‘Na verdade estamos apenas tentando regulamentar e definir qual o papel da empresa, do governo e do empregado nos casos de LER’’, afirma.

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