Curitiba - A ampliação da jornada de trabalho dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que passou de seis para oito horas diárias no início desta semana, pode levar a categoria a deflagrar uma greve nacional na segunda quinzena de junho. Uma resolução do INSS publicada no final de maio deste ano determinou o funcionamento de todas as agências da previdência das 7 às 19 horas e o atendimento ao público das 8 às 18 horas. O texto também estabelece jornada de 40 horas semanais para os servidores.

No último sábado, uma assembléia realizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência Social e Ação Social do Paraná (SindPrevsPR) decidiu paralisar as atividades por tempo indeterminado a partir do dia 15 de junho. A proposta será discutida no próximo sábado em Brasília, durante plenária da Federação Nacional dos Servidores do INSS, do Ministério da Saúde, da Funasa, da DRT e da Anvisa (PRP). Segundo a diretora do SindiPrevsPR em Curitiba, Jaqueline Mendes de Gusmão, é provável que nesta reunião seja definida apenas a data da paraliaação, já que a maioria dos estados já optou pela greve.

A principal reivindicação dos trabalhadores previdenciários é que a jornada de trabalho seja composta por dois turnos de seis horas diárias. A resolução do INSS prevê a possibilidade de jornadas semanais de 30 horas, mas os servidores que optarem por essa situação terão o salário reduzido proporcionalmente. Para o diretor paranaense do SindPrevsPR, Moacir Lopes, a medida é ''absurda'', pois existem cidades onde existe apenas um servidor.

O problema por trás desta resolução, segundo Lopes, é a falta de funcionários na Previdência. Ele afirma que enquanto a decisão sobre a greve não for acertada a orientação do sindicato é que os servidores não cumpram a nova jornada. Ele argumenta ainda que existe um decreto presidencial de 2003 que estabelece um limite de 30 horas semanais para o setor público.

De acordo com o gerente do INSS em Curitiba, Altamir da Silva Cardoso, a resolução federal não trouxe muitas mudanças concretas nas agências da capital. Segundo ele, o funcionamento das 7 às 19 horas já era realizado na capital através de dois turnos de seis horas. A diferença apontada por Cardoso é que antes eram seis horas sem horário de almoço e agora serão oito horas com direito a almoço. Para Cardoso, os meses de junho e julho serão um período ''de adaptação'', onde serão ajustados os horários de trabalho. Ele afirma ainda que haverá compensação salarial pela extensão da jornada.

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