Nas cinco agências do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) de Curitiba existem mais de 14 mil documentos esquecidos por contribuintes. As pessoas comparecem aos postos do INSS para pedir algum benefício, mas nunca se preocuparam em reaver sua papelada de volta. A maior parte são carteiras de trabalho, mas também há muitos carnês de recolhimento do INSS de autônomos, títulos de eleitor, identidades, CPFs, certidões de casamento e até mesmo certidões de nascimento, no caso dos pedidos de salário-maternidade.
‘‘Muitos nem lembram que deixaram esses documentos aqui’’, diz Rosana da Costa Waess, chefe da agência da INSS da Visconde de Guarapuava, região central de Curitiba. Só nesse posto, uma sala cheia, com prateleiras e caixas de papelão, arquivam cerca de 5 mil documentos esquecidos, frutos de processos deferidos ou não pelo órgão. Entre eles, há ações antigas, que deram entrada nas décadas 60 e 70. Um caso típico é o de José A. de Oliveira, que em 1970 deu entrada no pedido de aposentadoria e acabou deixando no órgão todos os seus carnês de recolhimento como autônomo.
O maior problema, entretanto, são as pessoas que ainda não se aposentaram e vão necessitar dos documentos para provar o tempo de recolhimento ou tempo de serviço. ‘‘Sem as carteiras de trabalho, para conseguir a aposentadoria essas pessoas terão que percorrer todas as empresas onde trabalharam para comprovar o tempo de serviço’’, diz Rosana.
É o caso de José Edinaldo Gonçalves, 44 anos, que deu entrada em pedido de auxílio-doença em 1998, e acabou deixando no posto da Visconde duas carteiras de trabalho, com um total de 16 registros de emprego.
A direção do INSS diz que não tem como devolver essa documentação. Por isso, pede que as pessoas procurem a unidade do INSS onde deram entrada em seus processos, para obter de volta a documentação esquecida.

mockup