Curitiba - ''Se a Igreja aceitar esse projeto, vamos salvar a vida de milhões de crianças'', disse a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, 74 anos, aos seus cinco filhos na noite em que estruturou o projeto de atuação da Pastoral da Criança. A proposta de Zilda, criada em 1983 a pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), era organizar as comunidades em pequenos grupos e promover a multiplicação de conhecimento a partir da capacitação de líderes comunitários e da educação das mães em cinco áreas de trabalho: pré-natal, aleitamento materno, soro caseiro, vigilância nutricional (acompanhamento do peso e da alimentação) e vacinação. Religiosa e devota de São José, a médica se inspirou no milagre da multiplicação dos pães e peixes.
A proposta criada pela médica refletiu uma preocupação que tinha desde o começo de sua carreira. ''Eu sempre me questionava se iria exercer a Medicina para curar doenças que são preveníveis'', lembra. Com a pastoral, ela começou o que ela chama de ''uma longa história de amor'' e também realizou um sonho antigo: ser missionária e atender crianças.
Junto com dom Geraldo Majela Agnello, Cardeal Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia, escolheu Florestópolis para realizar o trabalho-piloto. A indicação foi da Irmã Eugênia Pietta, que falou do grande número de ''covas novas de crianças no cemitério''.
Diversos líderes comunitários voluntários passaram por capacitações e realizaram a sensibilização com as famílias. Em 1983, a mortalidade infantil em Florestópolis era de 127 óbitos a cada mil nascidos vivos. No segundo ano, a taxa passou para 28 a cada mil. Depois de Florestópolis, a metodologia de trabalho se espalhou para todo o Brasil e também para 17 países.
Zilda ressalta que o trabalho da pastoral busca possibilitar o desenvolvimento completo das crianças e gestantes de baixa renda. Além do acompanhamento do peso, vacinação e orientações sobre como prevenir doenças e a importância da alimentação completa, a pastoral oferece educação para jovens e adultos, cursos de alfabetização e capacitação, brincadeiras para as crianças, criação de hortas comunitárias, e o controle social.

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