Após o desfavelamento que transformou a Vila do Grilo em Vila da Fraternidade, houve a primeira missa na igrejinha em 12 de junho de 1964; a segunda igreja, hoje matriz da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, tem 40 anos e mereceu uma reinauguração interna no dia 22 do mês passado, pelas novidades, que a deixaram mais clara e bonita. São o forro de gesso, o altar de mármore e os quadros de alumínio fundido, de baixo relevo, que reproduzem esculturas da artista londrinense Vany Maschio Teixeira representando a via sacra, o Cristo crucificado e o ícone da padroeira.
Pintora, escultora e gravadora desde 1983, Vany revela ter-se inspirado in loco. Segundo ela, ''quem vai a Jerusalém volta com uma experiência muito tocante'', conforme comprovou em 2008, lá percorrendo a via sacra (ou dolorosa), o trajeto de Jesus Cristo até o calvário, segundo o relato bíblico. É o motivo das ''14 estações'', os quadros de domínio público representando as cenas do martírio. ''Você não acredita, o tanto de gente que se vê em Jerusalém'', resume Vany a presença de milhares de turistas diariamente. Há, na via dolorosa, uma igreja em cada ''estação'' e o respectivo quadro representativo, observou.
Israel ocupa a parte ocidental desde 1949 e a oriental desde 1967, mas a cidade é indissociável também de cristãos e muçulmanos. A maior parte da via dolorosa está em bairro muçulmano e o santo sepulcro em bairro judeu.
De volta a Londrina, reproduzir as 14 estações ''era a maneira de expor a outras pessoas'' aquela experiência, segundo Vany.
Ela conheceu, também em Jerusalém, o ícone original de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que a motivou a escolher a Igreja em Londrina para doar as esculturas. E passou a frequentá-la toda quarta-feira, dia da novena. Na residência, entre outras obras, Vany tem uma réplica do ícone, que fez de argila, com as cores originais.
Na Igreja, estão as reproduções de alumínio: as 14 estações (quadros de 17 x 17), o ícone da Santa e a imagem de Cristo crucificado, no sacrário.
''Essa é a minha parte de carola'', diz a artista, de uma família que chegou a Londrina em 1938. Uma das satisfações de contribuir para a ornamentação da igreja, segundo ela, foi estimular outras iniciativas, pois a seguir foram doados o altar de mármore e o forro de gesso.
Da argila ao alumínio
Formada em Ciências com habilitação em Matemática, pela UEL, Vany Maschio Teixeira aprendeu desenho, pintura e escultura no ateliê de Letícia Marques; e gravura no metal, com Paulo Menten. Já expôs mais de 20 vezes, desde 1983 (14.º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba-SP), Mostra do Cinquentenário de Londrina (1984), Coletiva de Artistas de Londrina na Prefeitura de Guimarães, Portugal (1990), ''Três Gravadoras de Londrina'' (Florianópolis-SC, 1994), em se relacionando algumas das exposições.
Obras suas integram acervos do Banestado (Curitiba) e da Viação Garcia. Fez os painéis de Natal para a Catedral de Londrina em 2000 e é de sua autoria a capa do livro ''Raposas do Asfalto'', do irmão Edison Maschio.
Vany faz as esculturas de argila, material muito duro que precisa ser triturado antes de ser molhado e virar massa. Prontas, as esculturas são ''queimadas'' em uma cerâmica e se tornam as matrizes dos moldes de gesso para o alumínio fundido. Para essa finalização, ela recorre a uma fundição.

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