O Projeto Pão da Vida nasceu em 2001, a partir da iniciativa de um grupo de pessoas. Vendo o sofrimento daqueles que, vivendo em Londrina, não tinham como garantir uma alimentação diária, passaram a distribuir sopa nas ruas e favelas aos sábados à noite. Porém, ao constatar as necessidades dessas pessoas o grupo fundou a Associação Projeto Pão da Vida (APPVida), que criou uma casa abrigo para receber pessoas das mais diversas áreas da cidade.

Segundo a coordenadora geral da instituição, Fátima Reale Prado, a APPVida possui sete abrigos na cidade, cinco para adultos: quatro para homens e um exclusivo para mulheres. Há ainda duas casas abrigo voltado para crianças e adolescentes. "Um dos abrigos foi criado no mês de maio e funcionará até setembro em um imóvel cedido pela prefeitura, na Avenida Juscelino Kubitschek, e foi concebido especialmente para atender os moradores de rua durante o inverno", apontou.

Fátima destacou que as pessoas acolhidas recebem seis refeições diárias e também um kit de higiene pessoal. "Para se ter uma ideia, nós fornecemos cerca de 1,2 mil aparelhos de barbear e 1,2 mil sabonetes e toalhas. É que após receber o kit, a pessoa tem o direito de levar com ela quando sai da casa abrigo", apontou.

A coordenadora relatou que a maior necessidade é de roupas masculinas. "Os homens geralmente não doam as suas roupas, mas precisamos de agasalhos, calças masculinas, meias, calçados. Das 162 pessoas que acolhemos atualmente, 115 são homens", expôs Fátima. Ela contou que essas pessoas vão para a rua e voltam sem nada.

Viviane Lopes da Silva, de 35 anos, é uma das abrigadas na Pão da Vida. Natural de São Paulo, ela relatou que chegou à instituição sem nada. "Agora que estou trabalhando há duas semanas como manicure e pedicure, preciso de roupas melhores. O pessoal daqui tem bastante necessidade de agasalhos, roupas, e as mulheres têm dificuldades em conseguir materiais de higiene pessoal. Ainda bem que aqui todo mundo se ajuda", apontou.

A técnica de informática Kátia Cardoso, de 41 anos, relatou que tornou-se moradora de rua depois de um conflito com a família. Orientada a procurar a APPVida, ela disse que foi bem acolhida no local. "Eu quero conseguir um emprego, ter meu cantinho e voltar a estudar. Quero voltar à sociedade", apontou. Ela disse ter dificuldades para conseguir roupas de frio. "Quando eles não têm eu vou em brechó. Compro com o benefício do Bolsa Família, mas o valor é insuficiente para todas as necessidades do dia a dia. Eu saio na rua e pego latinhas para vender no ferro-velho para conseguir um dinheirinho", apontou.

Serviço - Mais informações sobre o Projeto Pão pela Vida pelo fone (43) 3343-3529

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