Inspetor volta a atuar em escolas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Sai o autoritarismo e a postura de enfrentamento do inspetor de outros tempos e, em seu lugar, entra um profissional que privilegia o diálogo e que é capaz de mediar os conflitos. É assim que a Secretaria de Estado da Educação pretende combater a criminalidade e a violência nas escolas públicas. Para implementar essa nova filosofia, a secretaria firmou parceria com a coordenação da recém-implantada Patrulha Escolar Comunitária (PEC) para reciclar e capacitar esses novos profissionais.
Iniciadas em Curitiba, em março, as oficinas estão chegando ao Interior. De ontem até hoje, mais de 400 servidores de Londrina e região estão participando do curso para inspetores de alunos. A partir de hoje, o curso será ministrado em Maringá. A chefe do Departamento de Infra-estrutura da Secretaria de Estado de Educação, Ana Lúcia Albuquerque, informou que, além de uma nova atitute, a função de inspetor terá nova denominação: auxiliar administrativo. De acordo com ela, até o segundo semestre o governo pretende realizar concursos públicos para a função que, embora não exista oficialmente há quase uma década, continua sendo exercida, por exemplo, por muitos zeladores. O interessado precisa ter o 2º grau completo.
Até julho, segundo Maria Lúcia, a secretaria pretende capacitar cerca de 2.700 pessoas, ''que não é nem 50% do que é preciso treinar'' em todo o Estado. Esse novo inspetor vai atuar voltado para garantir a segurança e a disciplina dentro da escola e dar apoio a professores e alunos. ''A concepção anterior de inspetor era baseada na autoridade, que hoje tem que ser mesclada com conversa e interação'', aponta. Para Maria Lúcia, a parceria da Secretaria com a PEC para recriar o papel do inspetor se justifica porque a Patrulha tem caráter mais preventivo do que repressivo.
O mesmo argumento é compartilhado pelo coordenador operacional da Patrulha Escolar no Estado, capitão Vanderley Rothenberg. Mesmo com o pequeno tempo de atuação da Patrulha em Curitiba e Região Metropolitana e em Londrina, ele comentou que é possível constatar que a comunidade escolar estava carente de atenção e interação. Segundo o capitão, desde que a PEC foi implantada, em fevereiro, houve um aumento de até 80% das solicitações de escolas e uma redução de 30% nos casos de violência escolar.
A partir da reciclagem, o que se pretende é que a Patrulha Escolar seja acionada apenas nos casos em que realmente se necessite da presença da polícia. Por isso, as oficinas do curso esclarecem o perfil e o trabalho da PEC e focam a atuação do inspetor na mediação de eventuais conflitos. Problemas que o ex-bibliotecário e atual inspetor de um colégio estadual com 1.600 alunos em Centenário do Sul, Carlos Adalberto Arroio, conhece bem. Ele disse que a indisciplina é realidade nas escolas e que é preciso ter sensibilidade. ''Procuro ter argumentos para resolver essas questões. Tem que ser na base da conversa porque o enfrentamento não dá mais'', concluiu.


