Insônia, ronco, sonambulismo. Os distúrbios do sono são mais comuns do que se pode imaginar e podem transformar a vida de uma pessoa em um inferno de indisposição, cansaço e mau humor. Estes problemas desestruturam a vida de crianças e adultos. Quem não consegue dormir ou tem um sono ruim durante a noite acaba ficando sem ânimo e disposição para os compromissos profissionais e sociais.
A insônia é o distúrbio mais frequente. Atinge 40% da população. Mas a apnéia (parada da respiração durante o sono) é o mais perigoso. A apnéia pode provocar infarto do miocárdio, derrames cerebrais e, pela sonolência do dia seguinte, acidentes de trânsito graves e fatais.
No Brasil, não existem estatísticas. Nos Estados Unidos, o distúrbio é responsável por 30% dos infartos e 20% dos acidentes de trânsito e derrames. O perigo existe porque as musculaturas da garganta se fecham e diminuem a oxigenação no sangue, provocando um sono irregular e aumento de transtornos cardíacos.
O risco de acidentes acontece porque, no outro dia, a pessoa fica cansada, indisposta, irritada, sem concentração, pouca memória e muita sonolência. ‘‘Isso também diminui a capacidade no trabalho e piora o relacionamento social e familiar’’, diz o clínico geral, especialista em distúrbios do sono, Attílio Melluso Filho.
A apnéia, como o ronco, é um tipo de hipersonia. Entre os distúrbios do sono, ainda existem as insônias (incapacidade de dormir) e as parassonias (movimentos durante o sono). As insônias são causadas principalmente por problemas psíquicos ou de tireóide, diabetes e movimentos corporais involuntários. As parassonias são, na maioria das vezes, distúrbios de ordem genética ou causados por problemas clínicos como Mal de Parkinson e hipertireoidismo, entre outros. As parassonias mais comuns são sonambulismo, enurese (incontinência urinária), bruxismo (ranger de dentes) e fala durante o sono.
Em pessoas de idade mais avançada, o mais frequente é o distúrbio do sono REM (dos sonhos). ‘‘Com os pesadelos, agridem pessoas que estão por perto e quebram os móveis do quarto enquanto estão dormindo’’, afirma Melluso Filho.
Vinte por cento das crianças têm distúrbios do sono - principalmente, sonambulismo, bruxismo, enorese e fala durante a noite. Na puberdade, o que mais ocorre é a síndrome das pernas inquietas, na qual a pessoa dá chutes durante a noite e acorda constantemente. A partir dos 40 anos, o maior índice é de apnéia.
Diagnóstico - Muitas pessoas não sabem que têm distúrbios do sono, principalmente as solteiras. A psiquiátra especialista em sono, Gisele Minhoto, diz que ronco, queixa de sonolência durante o dia e cama muito revirada de manhã podem ser sinais de problema. ‘‘Pessoas que dizem dormir superbem, que onde encostam, dormem, também podem ter distúrbios do sono’’, afirma.
O diagnóstico é feito por exames clínicos, laboratoriais e principalmente polissonografia. O paciente dorme em laboratório durante uma noite e é monitorado com eletrodos ligados a várias partes do corpo. O computador verifica os momentos e a duração do ronco, da parada de respiração e alterações cardíacas, entre outros assuntos.
O tratamento varia de acordo com o problema do paciente. A síndrome das pernas inquietas pode ser resolvido com um relaxante muscular, que atua no sistema nervoso central. O tratamento da apnéia muda conforme seu grau e sua intensidade. Pode ser com medicamentos, emagrecimento, fisioterapia, uso de aparelho ortodôntico, e cirurgia de nariz ou garganta. Hoje, também se usa um aparelho chamado CPAP - gerador de fluxo aéreo nasal contínuo. O CPAP filtra o ar e o impulsiona para uma máscara de silicone, que, colocada no nariz, faz com que a garganta fique sempre aberta e o paciente respire bem.

Inimigos do sono

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