Um pacote com 100 gramas do inseticida gastoxim foi encontrado dentro de um pacote de flocos de aveia usado para engrossar a sopa que seria servida a cerca de 200 alunos da Escola Estadual Pedro Fecchio, em São Tomé (117 quilômetros a nordeste de Umuarama). A descoberta do inseticida foi feita pela merendeira da escola no momento do preparo da sopa, anteontem de manhã. O pacote de inseticida e todas as embalagens de flocos de aveia encaminhadas pela Fundepar para a escola foram recolhidos e estão na Delegacia de São Tomé.
O inseticida gastoxin é formulado à base de organofosforado, altamente tóxico e utilizado para a prevenção de caruncho em grãos. Apresentado em comprimidos, o inseticida é distribuído entre os grãos de cereais armazenados nas propriedades rurais. Os comprimidos brancos se disolvem fora da embalagem, matam os carunchos e previnem o aparecimento de outros tipos de pragas.
A diretora auxiliar da escola, Clarice Sttoco Nascimento, classificou a situação como muito grave. ‘‘O pacote de inseticida estava corroído e, por sorte, a merendeira descobriu a sua presença no meio do pacote de flocos. Mas e se esta descoberta não tivesse acontecido?’’, indagou. Conforme Clarice, a merendeira descobriu o inseticida ao perceber que algo estava bloqueando a passagem dos flocos. ‘‘Quando ela abriu mais o pacote de flocos, descobriu a embalagem do inseticida’’, disse.
Conforme o diretor administrativo financeiro da Fundepar, Marcos Guelmann, este é ‘‘um caso pontual’’. Ele afirmou que todos os produtos da merenda escolar distribuídos pela Fundepar às escolas do Paraná passam por uma rigorosa análise de controle de qualidade. A análise é feita pelo Centro de Pesquisa e Processamento de Alimentos da Universidade Federal do Paraná. ‘‘Que fique bem claro que a Fundepar não libera nenhum produto para as escolas sem o laudo da análise laboratorial’’, esclareceu.
Segundo Guelmann, a Fundepar, assim que teve conhecimento do problema, acionou a empresa fabricante do flocos de aveia, a SL Alimentos, de Mauá da Serra. ‘‘Pedimos para que todos os pacotes de flocos da escola fossem recolhidos e encaminhados para a delegacia. A SL Alimentos está providenciando a retirada de todos os pacotes que fazem parte do lote onde se verificou o problema’’, disse. Segundo Guelmann, a direção da empresa fabricante do alimento informou que o inseticida encontrado não apresenta problema de contaminação. ‘‘Mesmo assim estamos recolhendo todos os pacotes do lote e fazendo a substituição’’, garantiu Guelmann.
O delegado de São Tomé, Antonio Pacheco Filho disse ontem à Folha que vai averiguar o ocorrido para só depois decidir se abre ou não inquérito policial.

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