Londrina – Em meio a diversos problemas, os frequentadores da região do Bosque Central, em Londrina, sofrem com a degradação da área. Moradores e comerciantes das redondezas reclamam da falta de segurança, principalmente durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã. Assaltos, arrombamentos e vandalismo são reflexos do consumo de drogas desenfreado, denunciam os moradores. Os pedidos dos andarilhos, por vezes agressivos, também intimidam.
De acordo com Elisa Maria Medeiros, síndica de um condomínio da área, os porteiros que trabalham à noite sofrem ameaças de pessoas que querem entrar à força no prédio. "Eles praticam os furtos e outros crimes e querem se refugiar aqui dentro", relatou. Ela aponta que a situação tem se agravado nos últimos anos. "O maior termômetro disso é a dificuldade dos proprietários em encontrar locatários ou compradores para os apartamentos", revelou. "Os moradores se programam para não chegar muito tarde. Quem sai à noite fica com medo de voltar, pois sabe que é perigoso."
A Concha Acústica, na Praça Primeiro de Maio, foi apelidada de "Minha Concha, Minha Vida", em referência à população de rua que se abriga no espaço. Os comerciantes reconhecem que não são todos que se envolvem nos crimes, mas apontam que muitos permanecem ali para planejar os furtos.
Em junho, Claudenir Basques Fernandes teve a papelaria arrombada e o prejuízo passou dos R$ 4 mil. "Levaram todos os artigos de informática, como monitores, pen drives", lembrou. Nos últimos dias, com o bom movimento tradicional durante a tarde, um brinquedo de R$ 60 sumiu sem que ninguém percebesse. "Estão cada vez mais ousados."
O Bosque é outro ponto frágil para a segurança. Longe dos olhos de quem passa pelas ruas, as vielas são território propício para o consumo e venda de drogas. É cada vez mais raro encontrar quem se arrisque a cruzar o espaço por entre as árvores a partir do final da tarde. Nem mesmo a Base Comunitária de Segurança da Guarda Municipal, na Avenida São Paulo, consegue dar fim ao problema. Moradores relatam que já flagraram até alunos com uniformes de colégios compartilhando drogas no Bosque.
"Toda preocupação da administração parece estar voltada para bairros nobres da zona sul. Lá não pode ter superposte, supermercados. Aqui temos superproblemas, como violência, pombos, degradação em geral. Também pagamos impostos", cobrou Elisa. Quanto aos moradores de rua, os comerciantes cobram um plano de ação social da prefeitura. "Não adianta dar sopa aqui. Isso faz com que eles se concentrem à espera do próximo prato. É preciso estudar medidas para tirá-los das ruas", analisou Fernandes.
O secretário de Defesa Social, Rubens Guimarães, expôs que o trabalho da Guarda Municipal, em parceria com a Assistência Social, com os moradores de rua é constante, mas a resistência em aceitar a ajuda ainda é grande. Já os coordenadores dos serviços de abordagem aos moradores de rua destacaram esforços para reduzir a população, que atualmente é de cerca de 300 pessoas na cidade. Nos últimos dois anos, 44 foram acolhidas pelos programas sociais e deixaram as ruas. "Não há lei que impeça que eles permaneçam no local, mas o que não pode ocorrer é eles fazerem moradia. Ali não é lugar para isso", destacou Guimarães. Já o combate à criminalidade esbarra na falta de guardas municipais. Atualmente, são 160 homens, três vezes menos que o recomendável.

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