Insegurança faz banco fechar as portas
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sexta-feira, 09 de abril de 1999
Sid Sauer 
Agência fechada. Motivo: 9ª investida/assalto. Tempo indeterminado. O aviso não está fixado em nenhuma agência bancária do Rio de Janeiro ou de São Paulo, mas sim, nas portas do Banco do Brasil de uma pequena cidade no interior do Paraná. Palmital (175 km a noroeste de Guarapuava), de apenas 17 mil habitantes, vive o drama de estar há mais de um mês sem o principal banco da cidade e a incerteza de não saber se a agência será reaberta.
A agência fechou no dia 5 de março, quando sofreu seu nono assalto em oito anos. Cerca de oito homens armados e encapuzados chegaram encondidos debaixo de uma lona colocada na caçamba de uma caminhonete. O vigia Luiz Carlos Kanarski viu a chegada dos assaltantes, mas só teve tempo de avisar que o banco iria ser assaltado e sair correndo. Ele ainda fechou a porta de entrada, mas ela foi arrebentada com o tiro de uma escopeta.
A gente pensa em reagir, mas não dá para enfrentar um bando de homens armados, conta o vigia, que estava no banco em pelo menos cinco dos nove assaltos. O funcionário Doraci Spessatto, 46, trabalha no BB há 20 anos e está há 15 em Palmital. Ele presenciou todos os assaltos. Tenho medo até da sombra, conta. Motivo para medo é o que não falta. Pelo menos um assaltante da agência, mesmo condenado, anda livremente pelas ruas de Palmital.
Ele participou de um assalto à agência ocorrido em setembro de 1997. O assaltante e outros três homens renderam os funcionários do banco que estavam, de madrugada, na associação da agência. Os funcionários tiveram que abrir a agência. Os quatro assaltantes acabaram presos e condenados, mas só dois deles estão presos. Outros dois, condenados a 7 anos e 6 meses de prisão, recorreram e ganharam o direito de aguardar em liberdade.
Isso é inconveniente, mas está dentro da lei, diz o juiz da comarca de Palmital, Marcelo Teixeira Augusto. Ele assumiu o cargo há menos de dois meses, mas também já se assusta com a falta de segurança na cidade. A comarca é muito pequena para o número de problemas que apresenta, diz. Segundo ele, a polícia não tem homens nem equipamentos suficientes, não há delegado de carreira e a PM só ganhou um comandante após o último assalto ao banco.
O juiz também se queixa de uma lei do silêncio que dificulta até a obtenção de testemunhas para os processos que correm na comarca. As pessoas têm medo de delatar quem precisa ser delatado, explica. Para piorar, levantamento da Polícia Militar mostra que o índice de pessoas que andam armadas é alto. Portar armas parece ser uma questão cultural por aqui, frisa Teixeira. De acordo com ele, a situação é ainda pior no vizinho município de Laranjal.
A PM de Palmital tem apenas 11 homens e uma viatura. Mas a situação já foi pior. Quando a agência do BB sofreu o oitavo assalto, em setembro do ano passado, o destacamento estava sem viaturas. Os assaltantes renderam o gerente em casa e, como o carro estava lotado, não levaram o subgerente. Livre, o subgerente procurou a polícia, que não tinha viatura para ir ao local. Sorte do banco que, por ser à noite, os ladrões não conseguiram pegar o dinheiro.
O comandante do destacamento da Polícia Militar, sargento Jurandir de Oliveira Lima, só foi designado para a cidade após o assalto do mês passado. Antes dele, os soldados trabalhavam por conta própria, sem comando, há vários meses. O sargento diz que o nível de ocorrências policiais em Palmital é aceitável, mas, assim como o juiz, reclama da lei do silêncio. A população precisa entender que a polícia vive de informações, ressalta.
Lima lembra que de todos os assaltos feitos à agência do BB, em nenhum os assaltantes fugiram em direção a Pitanga ou Laranjeiras do Sul, que são as maiores cidades ao redor de Palmital. Nessas saídas existe a Polícia Rodoviária e o cerco se torna fácil, explica. O problema é que Palmital tem várias outras saídas por estradas de terra, onde a viatura Ipanema não tem condições de passar. Precisamos de uma Toyota com urgência.
Enquanto o BB não define o que fazer, os quatro funcionários da agência que restaram - o gerente e a mulher dele, que também trabalhava no banco, foram transferidos - passam o dia trancados no banco fazendo serviços internos. A porta do banco não abre para ninguém. Esclarecimentos de dúvidas são feitos através de uma grade. Já no outro banco da cidade, o Banestado, que ainda está atendendo, a PM mantém um plantão permanente.


