A tela que cercou as duas áreas de mata do Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon (centro de Londrina) não foi capaz de deixar os problemas do lado de fora. Pelo contrário. Protegidos pela segurança do alambrado de quase dois metros, usuários de droga deram um jeitinho para continuar frequentando o local e, além de não fazerem mais questão de esconder o vício, intimidam quem os incomoda. Constrangidos mesmo ficaram apenas os aposentados, que durante décadas se acostumaram a passar as tardes em animados carteados nas mesinhas sob a sombra de árvores centenárias.
O espaço de 20 mil metros quadrados localizado entre as avenidas Rio de Janeiro e São Paulo, ao lado da Catedral Metropolitana, foi doado ao Município pela Companhia de Terras Melhoramentos Norte do Paraná. Desde então, é uma área para uso público.
Nos anos 1990, o local foi revitalizado e cercado por grades, mas o acesso continuou liberado. Agora, alegando que seria melhor para preservar a mata e melhorar a segurança, a Prefeitura Municipal decidiu cercar as duas partes com vegetação e liberar apenas o vão central.
A medida desiludiu as dezenas de aposentados que passavam as tardes se distraindo nas mesas próximas ao parque infantil. Desde a última quarta-feira eles estão tendo que usar a mesma tática dos usuários de drogas para manter a rotina: se esgueirar por entre o buraco na tela aberta pelos adolescentes. Os antigos frequentadores estão tão temerosos com o risco de permanecerem ali que preferiram não se identificar. ''Para mim, a Prefeitura não poderia fazer isso porque esta é uma área pública. Se bem que parece que agora não é tão pública assim, né!'', resignou-se um dos idosos.
Com 85 anos, 74 dos quais vividos em Londrina, outro aposentado alertou que a medida está tendo efeito contrário ao pretendido. ''Antes, tinha a PM que passava por aqui e essa meninada tinha medo. Agora, eles pulam a cerca e vêm aqui para usar droga, fazer sexo ou esconder coisas roubadas'', alertou, com a autoridade adquirida com a idade.
Enquanto ele falava, um adolescente fumava tranquilamente uma pedra de crack a poucos metros de distância. Com a chegada da FOLHA, outro grupo ameaçou agredir a equipe caso fossem fotografados.
Anteontem, outra equipe da FOLHA foi agredida enquanto fazia uma entrevista para o caderno Carro & Cia por um homem visivelmente drogado, que pedia dinheiro. Ele foi preso, mas na mesma noite foi solto.
''Isso aí é igual corintiano: raleia mas não acaba'', comparou um idoso em tom de ironia. Por fim, veio a frase que resume toda a apreensão da turma de velhos amigos. ''Será que eles vão mandar a Polícia tirar a gente daqui?''
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informou que não há a intenção de acabar com a diversão dos idosos. A previsão é transferir as mesas para um local mais seguro e apropriado.

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