Passada a fase de apuro pré-vestibular e de euforia com a conquista da concorrida vaga, é hora de olhar em volta e constatar a realidade do que virá pelos anos seguintes. Uma pesquisa realizada ano passado com 400 alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e divulgada este mês concluiu que é grande o índice de insatisfação com a instituição. A segurança no campus foi o item com a pior avaliação.
Idealizado justamente para verificar o grau de satisfação dos estudantes, o estudo foi desenvolvido em 2003 com questionários montados com critérios que eles próprios escolheram, em 2001. Coordenadora da iniciativa, a matemática Cristina Fidelis Gonçalves, 45 anos, professora de estatística em alguns cursos da UEL, explicou que foram avaliados recursos humanos, materiais, ambientais e organizacionais, para que, então, os alunos apontassem como estava a qualidade dos serviços prestados.
Para análise dos resultados, Cristina considerou um índice de um a zero. O global ficou em 0.48, de forma que o mais alto (0.65) foi obtido em relação ao corpo docente, dentro de recursos humanos. ''Nesse sentido, avaliamos desde a titulação e a pontualidade até os critérios de avaliação e frequência'', explicou.
Já a insatisfação dos alunos, conforme a pesquisa, é mais latente quanto aos recursos materiais e ambientais especialmente quando o assunto são, respectivamente, os laboratórios (0.29) e a segurança no campus (0.21), o item que teve a pior avaliação. ''De certa forma, isso reflete o que vivemos em Londrina e no Brasil'', avaliou a professora.
Em um passeio rápido pelo campus, não é difícil comprovar os resultados da pesquisa. Na ponta da língua, estudantes de diferentes cursos não hesitaram em reclamar de supostas falta de segurança e mau estado de conservação dos laboratórios. Para o terceiranista de jornalismo Renato Oliveira, 24 anos, os professores agradam, mas os equipamentos usados em algumas disciplinas deixam a desejar. ''Lá no meu centro, o jeito foi a iniciativa privada ajudar com verba'', disse.
Já para a aluna do 4º ano de química, Rebeca Cunha, 22, a falta de suprimento no laboratório tem que ser resolvida pelos próprios professores. Em meio a uma aula do curso, a professora do departamento de Química, Suely Andrade, 46, confirmou o comentário. ''Ultimamente, não temos reagentes para serem repostos. Às vezes, compro e divido os custos com as turmas, senão é difícil dar prosseguimento às atividades'', afirmou. Quanto à segurança, Rebeca garante: ''Não venho à universidade à noite de jeito nenhum, é sinistro isso aqui''.
Algo semelhante acontece nos laboratórios de engenharia elétrica, declarou o terceiranista Bruno Rodrigues, 20. De acordo com ele, além de equipamentos quebrados, outro problema é a falta de materiais básicos. ''A gente precisa fazer vaquinha até para comprar pilha'', apontou. Ele também lembrou da segurança no campus a qual, frisou, não se resolve apenas com a instalação de câmeras em alguns pontos. ''Ultimamente, até assalto com abordagem a gente anda vendo'', contou.

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