Curitiba - O major da Polícia Militar (PM) Douglas Satine Dabul, chefe da seção de planejamento do comando do policiamento do interior, reconhece que locais abandonados se tornam alvo fácil para desocupados. "Estes lugares acabam sendo usados principalmente por usuários de drogas ou como local para esconder objetos de furtos. Mas também serve de moradia para quem não tem casa", diz o major. De acordo com ele, quando a situação é constatada pela polícia, o usuário de drogas é encaminhado para a delegacia. Se não houver nenhum ato ilícito, o ocupante é retirado da residência abandonada.
De acordo com Dabul, a averiguação da polícia só acontece quando existe a denúncia de vizinhos. Ele diz que este é o ponto de partida para a polícia garantir a segurança da região em torno do mocó. Ele também chama a atenção para responsabilidade do proprietário. "Se todos fizerem sua parte -proprietários, deixando o lugar fechado; vizinhos, denunciando; a polícia e prefeitura fiscalizando- é posível diminuir o problema. Só não podemos ficar jogando a responsabilidade uns para os outros", comenta.
Quando os cuidados enumerados pelo major da PM não são tomados, o risco de uma casa tomada por sem-teto se tornar cinzas é grande. Quem alerta é o tenente do Corpo de Bombeiros Leonardo Mendes do Santos. Na última terça-feira, uma casa abandonada pegou fogo no bairro Mercês. O incêndio que destruiu a residência de 100 metros quadrados era habitada por um morador de rua. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a suspeita é de que uma bituca de cigarro tenha causado o acidente.
Mesmo os incêndios sendo constantes, há uma prova de que os mocós existem na sombra da legalidade. Assim como o número de locais abandonados não corresponde à realidade nos dados oficiais da prefeitura, o Corpo de Bombeiros não registra quantos imóveis abandonados acabam em chamas.
Este fim, no entanto, não é raro. "Este locais deveriam estar demolidos, assim evitaria as invasões e, conseqüentemente, o fogo", opina o tenente. De acordo com ele, os incêndios são causados pelo acumulo de lixo, a manuseio de material inflamável -tanto para aquecer alimentos quanto para se proteger do frio- ou vício em drogas. "É muito difícil uma casa que não está ocupada por mendigos pegar fogo. O que aumenta a chance disso acontecer é a invasão. Apenas o asseio e a não invasão pode proteger estes imóveis das chamas", alerta. (T.A.)

mockup