''Depois das 10 da noite, quando todo mundo apaga as luzes das varandas, não dá mais para sair de casa.'' Assim a auxiliar de açougueiro Maria Luíza Furlan de Oliveira, moradora da Rua Presidente Xavier da Silva, na Vila Recreio (Área Central), resume um problema comum em várias regiões de Londrina: a falta de iluminação nas ruas. Nesta época do ano, quando os dias são mais curtos, o problema fica ainda mais visível.
''Eu chego do trabalho por volta das 20 horas e tenho que andar oito quarteirões a pé. Tem uns trechos que a gente não enxerga nada. Não sei se as luzes são muito fracas ou se as árvores atrapalham a iluminação. Talvez se desbastassem um pouco a copa das árvores melhoraria'', argumenta Maria Luíza. Ela conta que várias residências já foram assaltadas e que os moradores decidiram pagar um vigia para tantar amenizar o problema, já que em outras ruas próximas também são tomadas pela escuridão.
Distante dali, no Conjunto São Lourenço (Zona Sul), o presidente da Associação de Moradores, Márcio Cruz, acredita que o principal causador do problema é o tamanho das árvores. ''A escuridão das ruas gera muita insegurança. Tem um ponto de ônibus da linha 904 que o motorista já nem pára mais, de tanto assalto que já teve ali.'' Cruz acha que a solução seria podar as árvores da região com mais frequência, ou então substituí-las por variedades menores, que não atrapalhassem tanto a iluminação.
''O problema é que a gente liga lá na Sema (Secretaria Municipal de Ambiente) pedindo a poda mas nunca somos atendidos. E se a gente corta, somos multados.'' O presidente da Associação relata outro problema, que é presenciado pela reportagem: o desligamento de alguns postes, sem motivo aparente, na Rua Jorge Bounassar. ''Quando isso acontece, o poste fica um tempão com a luz apagada.''
A Copel informou, através da assessoria de imprensa, que o desligamento pode estar acontecendo por problemas na manutenção, e que a companhia deve ser informada oficialmente para tomar as devidas providências. A quantidade de postes na cidade, segundo a Copel, obedece às normas do setor. Já a qualidade da iluminação, admite, poderia ser melhor, mas depende de investimentos do município. As lâmpadas de vapor de sódio, que iluminam mais e consomem menos energia que as de vapor de mercúrio, hoje estão presentes no quadrilátero central e nas avenidas JK, Duque de Caxias, Higienópolis, Leste-Oeste, Celso Garcia Cid e Saul Elkind.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, entre 2004 e 2005 o município investiu cerca de R$ 500 mil na substituição de lâmpadas. A Copel já apresentou, segundo a assessoria, um estudo para a melhoria da iluminação pública em outras vias, mas não há previsão de quando o projeto será colocado em prática. O investimento necessário para as novas substituições não foi informado.
O secretário municipal do Ambiente, Cleidival Fruzeri, explica que atualmente não há um cronograma de podas de árvores, elas vêm sendo feitas de acordo com os pedidos protocolados pela população. ''Uma exigência é que os pedidos sejam documentados, não estamos atendendo reivindicações feitas por telefone.'' Fruzeri afirma ainda que o novo plano diretor prevê podas sistemáticas, substituição de espécies e plantio de novas árvores na cidade.
''Já fizemos um diagnóstico da Área Central, identificando a qualidade e a quantidade de árvores. A partir de agora vamos estabelecer um programa para a região. A intenção é que em frente de cada imóvel tenha uma árvore'', diz o secretário.
O arquiteto Paulo Bombassaro lembra que no chamado centro histórico da cidade há árvores não recomendadas para áreas urbanas, como aquelas que prejudicam o calçamento. Segundo o arquiteto, a solução para melhorar a iluminação não é cortar as árvores, como fazem muitos comerciantes. ''Em Maringá, por exemplo, optou-se por postes mais baixos, onde as luzes ficam abaixo das copas. É um exemplo de solução original, que não comprometeu a arborização.''

Serviço: Problemas com a iluminação pública podem ser comunicados à Copel através do número 0800 - 510-0116.

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