Insegurança assusta usuários e vizinhos
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O que podia ser um oásis no coração de Londrina se tornou espaço dominado pela insegurança, prostituição de menores, consumo e tráfico de drogas. O Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, entre as avenidas Rio de Janeiro e São Paulo, que já foi uma área de lazer, causa medo em quem passa por ele ou mora nas suas imediações. Há duas semanas um jovem de 16 anos foi assassinado a tiros no local.
''É uma pena que a gente tenha um lugar tão bonito como este e não possa mais usar. Antigamente costumávamos trazer nossos filhos aqui para brincar. Hoje mal podemos passar por aqui'', lamenta Rosalina Maria Brandão. A vendedora Simone Cristina de Menezes revela que, mesmo durante o dia, só passa pelo local quando está com muita pressa, ''para cortar caminho''.
As reformas que vinham sendo realizadas desde o final do ano passado (veja matéria nesta página) priorizaram a melhoria da iluminação. A idéia era tornar o espaço utilizável pela população também à noite, mas não tornou. ''Eu caminhava lá diariamente, mas não tenho mais coragem'', diz Rita de Cássia Fulgêncio Feldman, que mora em edifício ao lado do Bosque há um ano e meio.
Para a moradora, a solução é um policiamento mais intensivo, justamente como prometeu ontem a Polícia Militar. Desde que se mudou para a região, Rita já presenciou cenas que nunca havia imaginado. ''Havia um grupo de adolescentes que vinha praticamente todas as noites. Antes da morte do garoto, eles ficaram três dias seguidos em verdadeira orgia, consumindo drogas e mantendo relações sexuais. Muitos dormiam na laje do banheiro. As meninas se lavavam na torneira que tem no lado de fora do banheiro.'' De acordo com a moradora, o grupo não apareceu mais depois do homicídio, mas o consumo e tráfico de drogas e a prostituição no interior do Bosque continuam.
O gerente de estacionamento que fica nas imediações, Ademir Hipólito, confirma as informações. ''Nós temos funcionário aqui 24 horas por dia, mas depois das 22 horas só abrimos a porta para conhecidos.''
Na última quinta-feira, a reportagem da Folha presenciou, por volta das 15 horas, um grupo de três jovens fumando maconha no interior do Bosque. Ao lado, vários grupos de homens jogavam baralho, e a poucos metros, crianças brincavam no parque infantil. Um adolescente que acabava de receber algo das mãos de um homem mais velho saiu rapidamente ao perceber a presença da reportagem.
Usuários afirmaram que os portões do parque não estão sendo mais fechados à noite, como vinha sendo feito depois que começaram os trabalhos de revitalização. O assessor técnico do Setor de Prédios Públicos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Ricardo Carrato, informou que um funcionário da administração do Terminal Urbano fica responsável por fechar os portões às 22 horas e reabrir às 6 horas. Ele não soube dizer, porém, por que os portões estavam sendo mantidos abertos durante a noite.


