A fuga de sete detentos do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, na tarde de anteontem, causou pânico na residência de uma família da vizinhança da delegacia, localizada no Jardim Espanha (Zona Leste). Preocupados com uma das moradoras que passava mal e recebia atendimento do Samu, dois outros moradores, um homem de 35 anos e seu filho de 5 anos, acabaram reféns dos fugitivos, que foram rendidos pela polícia dentro da casa.
''Eles abriram o portão e entraram'', contou uma parente das vítimas que não quis se identificar. Segundo ela, os homens ficaram na casa por mais de uma hora. ''Estamos com muito medo'', relatou.
A situação vivenciada pela família é o maior pesadelo de outros vizinhos do 2º DP. A dona de casa Terezinha Loureiro Bernardo garante ouvir tiros cotidianamente e teme ser atingida por balas perdidas. ''Já aconteceu com uma vizinha, que estava dormindo no quarto quando o guarda-roupa foi atingido por uma bala'', contou ela.
Avó de quatro netos, ela não permite que as crianças vão sozinhas à escola que fica a menos de 200 metros. ''Já teve um tiroteio no horário deles irem para a aula'', revelou. Muito próximo da delegacia, há duas escolas - uma municipal e outra particular - e uma creche. ''Os alunos passam pela frente do distrito todos os dias, para chegar na escola e depois voltar para casa.''
Para ela, que com outros membros da comunidade se mobilizou para manter limpo um terreno baldio passível de abrigar fugitivos, a solução seria instalar o DP num local menos residencial. ''Se não for possível, seria importante ter policiamento constante aqui no bairro''.
A dona de casa que mora na residência invadida pelos detentos concorda com a vizinha com relação à falta de policiamento. ''Ao invés da delegacia trazer mais segurança, aumenta o risco de violência'', constatou ela, que sente-se desprotegida, também, pela grande área coberta de vegetação na frente de casa. ''Os presos fogem e ficam escondidos no mato. Ficamos preocupados, mas não podemos fazer nada.''
Nas proximidades do 4º DP, na Zona Sul, a transformação do local em carceragem exclusivamente feminina melhorou a sensação de insegurança. ''Antigamente os presos fugiam e ficaram escondidos na terreno ao lado da minha casa'', contou o trabalhador rural José Almiro Mainardi, que já viu 11 fugitivos passando pelo quintal. ''Esses dias uma moça escapou e correu para cá, mas não aconteceu mais nada.''
Num prédio próximo ao DP, cuja segurança foi reforçada para proteger contra as constantes fugas, a maior parte dos moradores mais antigos tem histórias para contar. Roseli Cestaro relatou que, há cinco anos, estava chegando em casa e viu a maior confusão na vizinhança. ''Perguntei o que estava acontecendo para três rapazes que passavam pela rua e eles disseram que não era nada. Depois descobri que os moços eram os fugitivos.''

mockup