INSEGURANÇA - Luto patológico após seis meses
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quinta-feira, 06 de outubro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O psicólogo Mauro Duarte, de Londrina, aponta que a melhor forma de combater a sensação de medo é ter boas estratégias de enfrentamento. "São saídas que te fazem retornar a um estado de equilíbrio. Isso pode ser o apoio da família, um acompanhamento psicológico ou as medidas tomadas pelo Estado para aumentar a sensação de segurança", enumera.
Segundo ele, é preciso ressignificar, dar nomes à sensação de segurança. "A pessoa deve reformular o que aconteceu, retirar dela a sensação de culpabilização, pois depois da sensação de trauma pode vir uma sensação paranoide de perseguição, de que pode acontecer de novo. Se não ressignifico e falo que hoje é um outro dia, me mantenho em condição de trauma", aconselha.
Se depois de seis meses essas sensações de medo não cessarem ele orienta a buscar ajuda profissional de um psicólogo. "Passado esse período é sinal de luto patológico. O luto não acontece só quando um ente querido morre. Situações de luto acontecem quando se perde um objeto de amor. Se você perde a sua segurança você também entra em processo de luto", analisa.
Ele explica que o luto patológico é um sentimento grande demais, porque não há para onde fugir dele e a pessoa não consegue expressar a frustração, a dor e a perda. "Quanto mais a ideia fica se repetindo, aquela sensação de insegurança volta", aponta.
"A primeira forma de ressignificar é restabelecer a sensação de segurança e conversar com outras pessoas sobre o assunto. Para lidar com a situação de estresse, uma boa forma é a amizade, a família ou a relação que a pessoa tem com a igreja, ou seja, tudo que ajude a retornar a situação anterior de equilíbrio, uma sensação de segurança psíquica", explica.
Sobre a opção de algumas pessoas de fugir do problema, como aqueles que se mudam para regiões menos violentas, Duarte afirma que não é uma solução. "Como se trata de uma sensação, a saída é mudar a percepção, aumentando a sensação de segurança. Se a pessoa for para outro lugar e lá a sensação de insegurança se mantiver grave, ela vai se manter com aquele sentimento de dor e de estresse", aponta.
Sobre a questão da culpabilização da vítima, ele aponta que isso é uma outra violência que se comete. "A vítima acaba dizendo que a culpa foi dela, que não deveria estar andando sozinha, que ela marcou bobeira e não deveria estar com celular à mostra. Esse é um movimento psicológico de alta agressividade que agrava a questão da insegurança e deixa a pessoa mais doente. Trata-se de um processo de culpabilização que é uma segunda via de violência. Quando se diz: não reaja ao assalto, converse com o bandido sempre descrevendo o que vai fazer, mantenha um dinheiro separado para dar ao assaltante. Esses conselhos dão a impressão de que a culpa é sempre da vítima e de que ela se colocou em situação de insegurança", alerta.
"Quando a polícia ou a mídia fala para evitar tais lugares, para não se expor, ou não sair de casa em determinados horários, ela passa a mensagem de que a cidade está insegura, que está sendo tomada pela violência", diz Duarte. Ele relata que isso aumenta a sensação de insegurança e as pessoas vão se fechando cada vez mais.


