INSEGURANÇA - Aprendendo o medo na escola
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sexta-feira, 09 de março de 2007
Fernando Rocha Faro<br>rtagem Local 
Um cenário de guerra tomou conta de uma escola na Zona Leste de Londrina. Bombas, presença constante de policiais e ameaças tornaram-se rotina no Colégio Estadual Ana Garcia Molina, na Vila Ricardo. Professores, funcionários e alunos dizem que estão com medo, em especial no período noturno. Pelo menos uma estudante ficou ferida nos últimos dias.
O medo impera entre a comunidade escolar. A professora Sandra Regina Puqui é uma das poucas que o terror não conseguiu calar. Ela conta que os profissionais temem pela própria segurança. E que a calamidade tem duas causas principais: alunos que abandonaram os estudos e estão sendo obrigados a voltar para a escola, e pura malandragem de alguns grupos.
Sabemos que a situação econômica de quem mora na região é difícil. Mas essa sempre foi a nossa clientela e nunca tivemos alunos desrespeitando os professores e soltando bombas como agora, aponta Sandra Regina, sem deixar de destacar que 90% são bons estudantes.
Com o intuito de reforçar a segurança, a comunidade escolar está se mobilizando. Durante a semana, pais, professores, funcionários e representantes da Patrulha Escolar e do Núcleo Regional de Educação discutiram formas de coibir a violência.
Uma medida definida no encontro é a permissão para revista de alunos dentro da escola. Os PMs estão também fazendo rondas mais constantes e permanecendo no local no intervalo e saída da aula.
A diretora-geral Aracele Palma Fávaro Mota revelou que vândalos atiram rojões para dentro do colégio. Ela especula que a onda de violência tenha como possíveis causas a implantação do ensino regular noturno e o fim da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Há menos adultos na escola. E uma minoria acaba causando tumultos muito grandes, constata.
A solução encontrada pelo segurança Valmir de Araújo foi levar as filhas todos os dias para a aula. Ao menos enquanto durarem as férias dele. O certo era ter um vigia direto porque os policiais não ficam muito tempo. Também tem que melhorar a iluminação no colégio, reivindica.
Um aluno que preferiu ter a identidade mantida sob sigilo disse que muitos colegas ficam com medo ou já estão deixando o colégio.
A reportagem da FOLHA apurou ainda que o desrespeito não poupa nem mesmo os policiais militares. Alguns teriam sido xingados e até jurados de vingança por estudantes repreendidos.
Para a comandante da Patrulha Escolar, tenente Carolina Higino da Costa, outra medida que pode reduzir a violência na escola é a revista dentro das salas de aula, evitando que estudantes entrem armados ou com bombas no colégio. Existem alunos que são infratores e são aceitos na escola por determinação da Justiça. A revista pode coibir ações desse tipo, acredita.
A chefe do Núcleo Regional de Educação, Geni de Lourdes Perineto, explicou que orienta os diretores das escolas a acionar a polícia. O Núcleo é para cuidar de questões da educação e não de segurança. Mas estamos solidários com as diretorias para resolver esse problema, diz. Ela acrescentou que a revista nas salas de aula precisa ser aprovada em assembléia geral pelos pais.


