Um cenário de guerra tomou conta de uma escola na Zona Leste de Londrina. Bombas, presença constante de policiais e ameaças tornaram-se rotina no Colégio Estadual Ana Garcia Molina, na Vila Ricardo. Professores, funcionários e alunos dizem que estão com medo, em especial no período noturno. Pelo menos uma estudante ficou ferida nos últimos dias.
  O medo impera entre a comunidade escolar. A professora Sandra Regina Puqui é uma das poucas que o terror não conseguiu calar. Ela conta que os profissionais temem pela própria segurança. E que a calamidade tem duas causas principais: alunos que abandonaram os estudos e estão sendo obrigados a voltar para a escola, e ‘‘pura malandragem’’ de alguns grupos.
  ‘‘Sabemos que a situação econômica de quem mora na região é difícil. Mas essa sempre foi a nossa clientela e nunca tivemos alunos desrespeitando os professores e soltando bombas como agora’’, aponta Sandra Regina, sem deixar de destacar que ‘‘90% são bons estudantes.’’
  Com o intuito de reforçar a segurança, a comunidade escolar está se mobilizando. Durante a semana, pais, professores, funcionários e representantes da Patrulha Escolar e do Núcleo Regional de Educação discutiram formas de coibir a violência.
  Uma medida definida no encontro é a permissão para revista de alunos dentro da escola. Os PMs estão também fazendo rondas mais constantes e permanecendo no local no intervalo e saída da aula.
  A diretora-geral Aracele Palma Fávaro Mota revelou que vândalos atiram rojões para dentro do colégio. Ela especula que a onda de violência tenha como possíveis causas a implantação do ensino regular noturno e o fim da Educação de Jovens e Adultos (EJA). ‘‘Há menos adultos na escola. E uma minoria acaba causando tumultos muito grandes’’, constata.
  A solução encontrada pelo segurança Valmir de Araújo foi levar as filhas todos os dias para a aula. Ao menos enquanto durarem as férias dele. ‘‘O certo era ter um vigia direto porque os policiais não ficam muito tempo. Também tem que melhorar a iluminação no colégio’’, reivindica.
  Um aluno que preferiu ter a identidade mantida sob sigilo disse que muitos colegas ficam com medo ou já estão deixando o colégio.
  A reportagem da FOLHA apurou ainda que o desrespeito não poupa nem mesmo os policiais militares. Alguns teriam sido xingados e até jurados de vingança por estudantes repreendidos.
  Para a comandante da Patrulha Escolar, tenente Carolina Higino da Costa, outra medida que pode reduzir a violência na escola é a revista dentro das salas de aula, evitando que estudantes entrem armados ou com bombas no colégio. ‘‘Existem alunos que são infratores e são aceitos na escola por determinação da Justiça. A revista pode coibir ações desse tipo’’, acredita.
  A chefe do Núcleo Regional de Educação, Geni de Lourdes Perineto, explicou que orienta os diretores das escolas a acionar a polícia. ‘‘O Núcleo é para cuidar de questões da educação e não de segurança. Mas estamos solidários com as diretorias para resolver esse problema’’, diz. Ela acrescentou que a revista nas salas de aula precisa ser aprovada em assembléia geral pelos pais.

mockup