Inquéritos são suspensos por falta de escrivães
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Paulo Ubiratan 
O delegado do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, Antônio Zuba de Oliva, suspendeu a tramitação de todos os inquéritos daquele DP. A medida foi tomada ontem devido à falta de escrivão para trabalhar nos casos.
Um escrivão do distrito se aposentou e o outro está em férias. Diante desta situação, fica impossível dar prosseguimento aos inquéritos e ouvir as pessoas envolvidas nas acusações, afirmou Zuba. Um dos principais inquéritos que tramitam pelo 2º DP é o que investiga a emissão de carteiras frias, que eram confeccionadas usando prontuários falsificados vindos dos estados de Minas Gerais e Santa Catarina.
De acordo com o delegado Antônio Zuba, as carteiras foram expedidas pelas Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Londrina, com a possível participação da Ciretran de Cornélio Procópio. Na semana passada, a comerciante Flordalisa Martins - moradora em Primeiro de Maio (cerca de 61 quilômetros ao norte de Londrina) - foi a última pessoa a ser ouvida pelo delegado. Ela denunciou a proprietária de uma auto-escola de ter-lhe vendido a carteira por R$ 800,00. Seis pessoas já estão indiciadas.
O próprio setor que deu início às investigações - a Coordenadoria de Inspeção e Auditagem (Coia) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) - havia alertado que as investigações deveriam prosseguir, pois até então havia sido descoberta apenas a ponta do iceberg. Ontem, os comentários na 10ª Subdivisão Policial (SDP) eram de que, diante da suspensão das investigações, o caso poderá terminar em pizza.
A Folha apurou que a situação dos outros distritos (3º, 4º, 5º e 6º DPs) não é diferente do 2º DP. Há 10 anos, 32 escrivães trabalhavam em Londrina. Hoje, são somente 18 na ativa. Outro problema é a falta de policiais para realizar as investigações.
Posso garantir que apenas seis investigadores atuam no setor, para atender uma população de mais de 500 mil pessoas. O restante dos policiais está cumprindo turno fora de suas funções, cuidando de presos nos seus respectivos DPs, disse um policial que pediu para não ser identificado.
A situação está tão séria que ontem à tarde a Folha presenciou uma policial do plantão da 10ª SDP perder o controle. Ela pediu a um delegado para se afastar um pouco do local porque ela estava se sentindo mal, possivelvente devido ao excesso de trabalho.
O problema não atinge apenas a 10ª SDP. Também o IML teve que suspender atividades por falta de pessoal. O setor de toxicologia fechou e todos os exames estão sendo feitos em Curitiba, atrasando a elaboração dos laudos em até 50 dias. Assim sendo, algumas prisões estão sendo relaxadas por decurso de prazo.
O problema também prejudica a Justiça, que acaba atrasando o prosseguimentos dos processos. Por falta de pessoal, o IML ainda deixou de fazer atendimento externo durante todo o dia, para que o os poucos funcionários possam dar conta dos serviços internos.


