Os conflitos entre fazendeiros e sem-terra no Paraná têm sido constantes em várias regiões do Estado. Em muitos casos, os inquéritos policiais até hoje não foram concluídos por falta de provas ou de autoria do crime.
No dia 7 de janeiro o sem-terra Francisco Costa, conhecido como Chicão, foi assassinado com oito tiros no centro de Ivaiporã (130 quilômetros ao sul de Apucarana). As pistas da polícia indicavam como autores do crime dois irmãos, vizinhos de Chicão, conhecidos como integrantes da ‘‘família dos baianos’’, com quem ele já havia trocado tiros anteriormente. Antes de morrer, o sem-terra havia sido expulso da invasão da Fazenda 7 Mil, por discordar dos métodos das lideranças locais.
Em Laranjal (a 140 quilômetros de Guarapuava), um sem-terra e um jagunço morreram e dois pistoleiros ficaram feridos durante confronto no assentamento do Incra na Fazenda Pedra Branca. O tiroteio durou quase todo o dia e os sem-terra disseram que a briga foi com um antigo arrendatário da fazenda, Antônio Martins. Ele teria recebido150 alquerires de terra do antigo dono da fazenda e perdeu o direito quando o Incra desapropriou a fazenda para assentar 63 famílias. Desde então, passou a incomodar os agricultores.
No dia 15 de julho de 1998, dois sem-terra foram feridos a bala na Fazenda Cachoeira, em Sapopema (132 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio). Os dois homens estavam em um trator do acampamento e foram surpreendidos por homens armados na porteira da fazenda. Os tiros causaram ferimentos leves, mas foi aberto inquérito para apurar a autoria das lesões corporais.
No dia 4 de abril de 98, o sem-terra Sadi Padilha morreu com um tiro no rosto após uma missa na zona rural de Clevelândia (sudoeste do Estado). Ele estava acampado na Fazenda Dissenha, maior invasão do movimento em Santa Catarina, no município de Abelardo Luz (SC), que faz divisa com Clevelândia. Padilha teria sido morto por um funcionário da Fazenda Régia, da qual o MST havia sido retirado uma semana antes. A polícia disse na época que o crime não tinha ligação com conflitos fundiária, mas teria sido provocado por um desentendimento de bar.
Em julho de 97, os invasores da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina), enfrentaram, durante uma noite, o tiroteio de pistoleiros contra o acampamento sem-terra. Ninguém ficou ferido, apesar de haver muitas crianças no acampamento. Somente uma mulher, que estava grávida, acabou abortando por causa do tiroteio. Este foi o primeiro de uma série de conflitos e denúncias feitas nesta fazenda.
Outro crime chamou a atenção da opinião pública: o assassinato do segurança José Lopes de Oliveira, conhecido por Django, no dia 27 de abril de 1997. Ele foi morto por sem-terra da Fazenda Borborema, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Django recebeu um tiro após tentar intimidar os sem-terra que haviam invadido a fazenda.
Os sem-terra fizeram tocaia na sede da fazenda pela manhã, quando Django e outros dois seguranças estavam dormindo, e invadiram a casa. Uma equipe de jornalismo da TV Londrina (filiada à Rede Bandeirantes) estava no local e filmou toda a ação. A Justiça denunciou 12 pessoas por envolvimento no crime e o processo está na 1ª Vara Criminal de Londrina.
Quase 20 meses depois da morte do sem-terra José Arnaldo dos Santos, 26 anos, o crime também não foi esclarecida. Ele morreu no dia 20 de agosto de 1997, três dias depois de ser baleado na cabeça enquanto trabalhava arando terra na Fazenda Rio Tonete, em Nova Cantu (120 quilômetros ao sul de Campo Mourão). Na época, a propriedade estava ocupada por cerca de mil pessoas, e 100 estavam no local onde aconteceu o tiroteio que acabou matando Santos.
O delegado de Nova Cantu, Osvaldo Moreira, diz que o crime é de difícil solução. ‘‘Ninguém viu quem atirou’’, conta. Segundo a versão dos sem-terra, cerca de 15 homens, que seriam seguranças da fazenda, chegaram atirando, aproveitando que o grupo estava longe da sede do acampamento. (Colaborou Sid Sauer)

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