Edson GuittiLentidãoResidencial Sandra Regina, em Maringá: sindicância da CEF aponta superfaturamento da obra Por falta de perito na Polícia Federal em Maringá, cerca de 30 inquéritos instaurados para apurar irregularidades na Caixa Econômica Federal (CEF) e superfaturamento nas construções financiadas pela CEF estão praticamente parados. O inquérito que apura denúncia de superfaturamento na construção do Residencial Sandra Regina e irregularidades nos contratos de financiamento aguarda perícia desde julho de 96.
Como não há perito especializado em engenharia civil na delegacia da PF, o delegado José Ferreira de Oliveira solicitou um profissional ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília (DF).
O INC sugeriu que a delegacia pedisse um perito ao Departamento da PF em Curitiba. Porém, o departamento de Curitiba alegou, em dezembro passado, que a PF não tem recursos financeiros para viagem de servidores. De acordo com Ferreira, todos os inquéritos que apuram denúncias de superfaturamento nos empreendimentos financiados pela CEF necessitam de perícias.
Ele afirmou que os processos estão na Justiça Federal para vistoria e que devem ser devolvidos à Polícia Federal em 15 dias. A PF tentou fazer a perícia com professores das universidades do Paraná, mas a CEF não se comprometeu a pagar os honorários destes profissionais. Sem dinheiro e sem peritos, a PF fica impossibilitada de dar continuidade a maioria dos inquéritos. Os depoimentos dos envolvidos já foram tomados.
Sandra Regina As irregularidades no residencial Sandra Regina são apontadas num relatório da própria CEF, que abriu uma sindicância interna em 93. De acordo com a sindicância, 23 mutuários do Residencial Sandra Regina declararam renda acima do valor que recebiam e muitos deles apresentaram documentos falsos para comprovar melhores salários.
O advogado do grupo de mutuários, Paulo Augusto Amaral de Araújo, alega que a inadimplência no residencial também se deve aos aumentos ‘‘absurdos’’ das prestações, que inviabilizaram o pagamento. Araújo também coloca em dúvida os cálculos utilizados pela CEF para quitação do imóvel. Como exemplo, ele cita o caso de um mutuário que deve cerca de R$ 21 mil em prestações atrasadas e ainda tem um saldo devedor de R$ 52,2 mil. O valor de mercado do imóvel é de R$ 20 mil.
A sindicância também descobriu desvio de recursos liberados pela CEF para a construção do prédio. Como se não bastasse, o edifício tem instalação elétrica mal projetada e executada, a ponto de moradores terem substituído disjuntores para aumentar a amperagem do sistema elétrico e acabar com as constantes quedas de luz. Esta troca, segundo a sindicância, pode ocasionar problemas graves de sobrecarga na fiação.
Outros problemas do Residencial Sandra Regina são mau cheiro nos ralos de esgoto, ausência dos doze arranjos florais especificados no projeto, metais de padrão bem inferior aos especificados no memorial de construção. A construtora também teria utilizado mão-de-obra de má qualidade. Segundo a sindicância, faltou assistência da Cohesma (cooperativa que fez a incorporação do empreendimento), e da Construtora Engedelp, responsável pela obra.
A Cohesma e a Engedelp contestaram o resultado da sindicância. As empresas alegaram que o padrão da obra respeitou o projeto apresentado à CEF para liberação dos recursos. Para dar andamento ao inquérito, que já tem dezenas de volumes, a delegacia da PF em Maringá solicitou uma perícia no prédio.

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