As polícias Civil e Militar de Londrina abriram ontem inquérito para apurar a morte do adolescente Marcelo Cléber Pires, de 15 anos, com sete tiros de pistola, em uma ação do Pelotão de Choque da PM. Segundo informações da polícia, Marcelo teria participado de um assalto a residência no Conjunto João Paz (Zona Norte) com outro adolescente. O comandante do Pelotão, tenente Marcelo Israel, informou que na fuga, mesmo caído e cercado, o garoto resistiu à voz de prisão e apontou a arma aos PMs, que reagiram.
De acordo com o delegado do 5º Distrito Policial (DP), Édmo Ermenegildo, o inquérito vai investigar também a ocorrência do assalto, mas deve se deter às circunstâncias da morte do adolescente. ''Um dos PMs já foi ouvido; semana que vem serão os outros dois, e, se necessário, pelo exame das balas retiradas do cadáver, pediremos também as armas que eles usaram'', informou.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, disse que designou um oficial para apurar o procedimento dos PMs. ''Essa avaliação será remetida à Justiça Militar para receber o parecer do promotor'', resumiu. Os policiais envolvidos não foram afastados.
No velório do adolescente anteontem à tarde, em sua casa, no Conjunto Aquiles Sthenghel Guimarães, também na Zona Norte, o avô dele, o pedreiro José Alves de Oliveira, de 58 anos, questionou o fato de a equipe do Pelotão de Choque ter levado o corpo sem esperar pelo carro do Instituto Médico Legal (IML) no local. ''Como o levaram sem fazer a perícia?'', questionou.
De acordo com o coordenador administrativo do IML de Londrina, Fernando Piccinin, o transporte do corpo deve ser, necessariamente, feito por perito, com exceção dos casos de morte natural. Nos demais casos, a remoção só pode ser feita com autorização do delegado que atendeu à ocorrência.
Segundo o tenente Israel, Marcelo fora levado ainda com vida pelos PMs para receber socorro. Mesmo assim, questionado sobre a legalidade do procedimento, Fernandes admitiu: ''Eles (os PMs) não são médicos, não poderiam saber se o menino já tinha ido a óbito'', destacou.
O tipo de arma utilizada uma pistola semi-automática calibre .40 e o laudo do IML afastam a hipótese de Marcelo não ter morrido no instante dos tiros. ''É uma arma letal; dificilmente não mata quando atinge o peito do alvo'', explicou o investigador Carlos Roberto de Almeida. Já Piccinin, do IML, disse que, pelo laudo, o jovem recebeu tiros tanto nos dois pulmões quanto em regiões do miocárdio (junto ao coração) e do baço.
Para o médico-legista que analisou o cadáver, Gabriel Fernandes Neto, não restam dúvidas: ''Foi morte instantânea, não tinha como pensar que o menino estava vivo pelo estado dele'', concluiu. O delegado Édmo Ermenegildo solicitou o laudo do IML para as investigações.

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