Inquérito vai apurar violência policial
Osmani Costa
De Londrina
O comandante do Comando da Polícia do Interior (CPI), coronel Flávio Modesti, determinou ontem, através de portaria, a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) que investigue as responsabilidades e possíveis excessos de policiais do 5º Batalhão de Londrina na repressão a uma manifestação na noite da última segunda-feira. O IPM será presidido pelo major do 15º Batalhão de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), José Cesário de Paulo, que terá 45 dias para concluir as investigações e apresentar relatório final.
A violência foi cometida por policiais da Tropa de Choque e da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) contra moradores da Vila Yara (zona leste), que protestavam por mais segurança e contra o atropelamento do estudante Diego Bueno, 13 anos, ocorrido na noite de domingo na BR-369 (Avenida Brasília). A ação violenta da PM resultou em 18 pessoas presas e várias pessoas feridas, incluindo três repórteres, feridos por balas de borracha e golpes de cassetetes.
O major José de Paulo não quis emitir opinião, ontem, sobre as consequências das investigações do IPM em relação às possíveis punições dos policiais envolvidos na repressão à manifestação popular. Não dá para adiantar nada, por enquanto. Começaremos nossos trabalhos na próxima semana. Vamos ouvir todos os envolvidos: os manifestantes agredidos, repórteres da imprensa que foram vítimas ou não de agressões, testemunhas, e os policiais indiciados, que estão sendo acusados pela suposta violência, comentou o major, que é sub-comandante do 15º BPM.
O comandante do 5º BPM de Londrina, tenente-coronel Sílvio José Mazalotti de Araújo, que não estava na cidade no dia do incidente, afirmou ontem que a indicação de um militar de outro batalhão para presidir o IPM objetiva garantir a maior isenção e transparência possíveis ao processo de investigação das responsabilidades dos policiais. Até ontem, nenhum policial acusado de excesso no episódio havia sido afastado de suas funções ou recebido qualquer tipo de punição.
Eles continuam trabalhando, mas não significa que não podem vir a ser punidos, no decorrer ou no final dos trabalhos do IPM, ressaltou o comandante do 5º BPM. De acordo com Mazalotti de Araújo, munições como as balas de borracha só devem ser usadas em operações especiais onde há risco de vida para terceiros, como em sequestro e rebeliões com reféns , e não em pequenos protestos como o que era realizado pelos moradores da Vila Yara.





