A Promotoria de Investigações Criminais de Londrina (PIC) requisitou anteontem abertura de inquérito para apurar quais funcionários do Instituto Médico-Legal (IML) estariam envolvidos em cobranças ilegais de taxa para liberação de corpos. As denúncias de cobrança compulsória partiram de funerárias da região, que teriam sido obrigadas a pagar, durante alguns meses, o valor de R$ 100,00 para cada corpo retirado do IML.
A promotora da PIC, Solange Vicentin, iniciou as investigações no segundo semeste do ano passado com base em provas documentais, como recibos, passando a ouvir agentes funerários de vários municípios próximos a Londrina. Segundo ela, a cobrança era feita a título de ‘‘doação espontânea’’ para um convênio entre o IML, Conselho Comunitário de Segurança, Secretaria de Segurança do Paraná e funerárias.
‘‘Quando falamos em doação entendemos que paga quem quiser. Até onde sabemos, não era o que estava acontecendo. Se as funerárias não pagassem, não podiam retirar os corpos’’, disse a promotora. ‘‘O caso é passível de processo penal’’.
Solange Vicentin também encaminhou à Promotoria Especial de Proteção ao Patrimônio Público e à Secretaria de Segurança Pública cópias de documentos contendo denúncias de improbidade administrativa pela direção do IML, e que podem resultar em ação civil.
O diretor do instituto, Antonio Carlos de Queiroz, disse estar surpreso. Ele admitiu que foi feito o convênio no ano passado para formar um fundo destinado a equipar o IML. ‘‘As funerárias se propuseram a colaborar com o fundo, que era gerido pelo Conselho de Segurança.’’
Segundo Queiroz, o convênio foi extinto porque sua legalidade foi questionada pelo Ministério Público. ‘‘Assim que percebemos que as contribuições estavam suscitando dúvidas, resolvemos suspendê-las.’’
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, afirmou não ter recebido ainda o pedido de abertura de inquérito. ‘‘Assim que isso acontecer, vou designar um delegado para investigar o caso’’.

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