Paulo Ubiratan
De Londrina
O superintendente da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Ademilson Alves Batista, determinou que o delegado do 5º Distrito Policial (DP) Jorge Barbosa, abra inquérito policial para apurar o desaparecimento da operária Maria Aparecida de Oliveira, grávida de nove meses. A solicitação da abertura do inquérito partiu do Centro de Direitos Humanos (CDH), por intermédio do advogado Josinaldo Veiga, após ler reportagem de ontem na Folha.
Jorge Barbosa afirmou que amanhã começará a ouvir os pais e todas as pessoas que poderiam estar envolvidas no caso. O desaparecimento ocorreu em março de 1998, quando ela saiu à noite do prédio onde morava no Residencial das Américas (zona norte de Londrina), para falar com o namorado. A reportagem recebeu ontem cinco telefonemas de pessoas – que pediram para não ser identificadas – de que a operária poderia ter sido morta e enterrada em uma mata, em frente ao residencial.
‘‘Não dá para entender a polícia, na época, não ter se interessado por um caso como este. Tratava-se de investigar o desaparecimento de uma mulher, um ser humano que no dia seguinte daria à luz uma criança’’, comentou o advogado. ‘‘Quem sabe agora este inquérito policial, apesar de já ter passado mais de dois anos, possa abrir novos caminhos para elucidar este mistério. Como primeira providência, o delegado deverá pedir que seja vasculhada a área onde ela poderia ter sido enterrada.’’
Segundo o porteiro do Residencial das Américas, Maria Aparecida saiu de chinelo e short prometendo voltar logo em seguida. Seu pai, o pedreiro Paulo Evangelista, morava no mesmo apartamento. Ele conta, que ao chegar de madrugada, vindo de um forró, recebeu notícia do mesmo porteiro que a filha não havia retornado, apesar de ter prometido retornar logo em seguida.
Paulo Evangelista disse que somente no início da manhã começou a se preocupar com o desaparecimento de Maria Aparecida. ‘‘Liguei para toda a família e amigas de minha filha e não recebi nenhuma notícia dela. Procurei por ela em todos os lugares, inclusive no Instituto Médico-Legal, sem resultado. A partir dali comecei a desconfiar do seu namorado que apareceu com duas histórias diferentes’’, contou o pai.
Segundo Paulo Evangelista, o namorado falou para ele que amava Maria Aparecida e não sabia onde ela estava. No mesmo dia, sem ser chamado, foi até à 10ª SDP, acompanhado de um advogado, e disse que a namorada era louca, prostituta e queria que ele assumisse como filho, a criança que iria nascer.
A mãe de Maria Aparecida, Neide Aparecida da Silva, contou que chegou a ser ameaçada pelo namorado da filha: ‘‘Ele falou que não adiantava eu procurar a polícia, pois era um ex-policial e tinha muitos amigos tanto na Civil como na Militar.’’
Quando lembrou deste episódio, a mãe começou a chorar. Ela disse que na mesma época foi diversas vezes à 10ª SDP solicitar que investigassem o desaparecimento da filha e que ninguém se interessava pelo caso. Neide da Silva acompanhou o advogado do CDH, Josinaldo Veiga, à delegacia.A pedido do Centro de Direitos Humanos foi determinada investigação do paradeiro da grávida Maria Aparecida
Milton DóriaCRÍTICAO advogado Josinaldo Veiga e a mãe da desaparecida, Neide da Silva: ‘‘Não dá para entender a polícia, na época, não ter se interessado por um caso como este’’; ao lado, a reprodução da foto de Maria Aparecida

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