Inquérito vai apurar omissão de socorro
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sexta-feira, 29 de agosto de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá O delegado do 5º Distrito Policial de Maringá, José Maurício Lima Filho, vai instaurar inquérito para investigar indícios do crime de omissão de socorro contra funcionários do Hospital Universitário (HU) de Maringá. A denúncia foi feita pela família do metalúrgico Edson Renato Cândido, 29 anos, que morreu na última terça-feira de problemas no coração, dentro de uma ambulância no caminho entre o HU e a unidade de pronto-atendimento (Nis 3) do Jardim Alvorada, bairro da zona norte de Maringá.
A superintendência do HU divulgou ontem mesmo o resultado de uma sindicância que não constatou omissão de socorro, mas uma atitude considerada de ''foro íntimo'' dos funcionários que decidiram colocar o metalúrgico na ambulância ao invés de dar entrada no hospital. Conforme a família, Edson sentia fortes dores no peito quando foi levado para o HU, por volta das 18 horas, mas como o hospital ainda não havia aberto o atendimento de emergência, os funcionários não quiseram avaliar a situação do metalúrgico. O atendimento de emergência do HU começa às 19 horas. A família de Edson mora quase em frente ao HU.
Segundo a cunhada de Edson, a dona-de-casa Miriam Rodrigues dos Santos, a família está revoltada porque os funcionários não quiseram nem abrir a porta do plantão. ''Meu cunhado ficou no chão, passando mal, quando dois funcionários decidiram colocá-lo dentro da ambulância'', disse Miriam. Os funcionários eram o motorista da ambulância e um do setor técnico-administrativo do hospital. ''Eles ainda falaram que já estavam acostumados com este tipo de 'pilantra', como se o meu cunhado tivesse fazendo cena ou não merecesse atendimento'', afirmou Miriam. ''Se tivessem ao menos aberto a porta, um médico poderia ter visto a situação'', reclamou a dona-de-casa.
O superintendente do HU, Carlos Edmundo Fontes, disse ontem que o caso não foi de omissão de socorro porque os funcionários colocaram o metalúrgico dentro da ambulância. Fontes afirmou, porém, que houve uma análise precipitada porque a ''atitude ideal seria a de levar o paciente para dentro do hospital''. O superintendente disse também que o horário das 18 às 19 horas é utilizado pelos funcionários para limpeza do hospital e adequação do ambiente para o ínicio de atendimento de emergência.
Até às 18 horas o HU atende consultas ambulatoriais e, conforme acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os casos de emergência durante o dia são direcionados ao Nis 3 do Jardim Alvorada. ''Ainda assim, sempre atendemos casos fora do horário'', afirmou Fontes. O delegado pretende iniciar os depoimentos, primeiro dos familiares e depois dos funcionários do HU para tentar identificar os responsáveis pela situação e as circunstâncias envolvendo a morte do metalúrgico.


