A Polícia Civil de Cambé (13 km a oeste de Londrina) instaurou inquérito para apurar a morte do menino Renan Mendes da Silva, seis anos, ocorrido na madrugada de segunda-feira. Ele teria sofrido intoxicação alimentar em uma festa de casamento que aconteceu no dia 31 à noite, no Jardim Ana Elisa 2, naquela cidade. Pelo menos outras 150 pessoas, segundo informação da polícia, também apresentaram quadro de intoxicação alimentar.
O corpo de Renan foi velado na Igreja Presbiteriana Renovada e enterrado ontem à tarde, no cemitério de Cambé. A mãe do menino, Rita de Cássia Mendes da Silva, estava abalada e não quis contar detalhes sobre o caso. Ela disse apenas que o filho começou a passar mal no domingo à tarde, dia 1º.
Mario CesarVelórioA mãe de Renan, Rita de Cássia: ‘‘Dei um banho e remédio para ele’’Rita de Cássia e o marido, Rubens Mendes da Silva, levaram a criança para o ambulatório Alto da Colina, em Londrina. ‘‘Falaram que lá não tinha pediatra e mandaram a gente voltar para a Santa Casa de Camb钒, contou. O marido e outros adultos que sofreram intoxicação foram atendidos no Alto da Colina.
Ainda de acordo com a mãe da criança, como o marido não estava bem para dirigir, a família resolveu voltar para casa, no Jardim Ana Elisa 3. ‘‘Dei banho nele e depois dei um remédio que o médico receitou para o meu marido’’, contou. Rita de Cássia não soube dizer o nome do medicamento. ‘‘De madrugada, quando fui dar o remédio de novo, ele já estava morto’’, disse. Ao contrário do que a Folha publicou na edição de ontem, a criança não chegou a ser atendida na Santa Casa de Cambé.
Mario CesarInvestigaçãoMaria de Brito Lô Sarzi, da Vigilância à Saúde, com amostras de alimentosO delegado de Cambé, Nasser Salmen, espera o resultado do exames realizados no Instituto Médico legal (IML) para saber a causa da morte do garoto. Segundo ele, durante o inquérito, será verificado também se houve envolvimento do ambulatório no caso. ‘‘Queremos saber se a morte foi em decorrência da intoxicação e se o caso foi acentuado com a recusa do hospital em receber a criança’’, afirmou.
A assessoria de imprensa do Hospital Evangélico (o ambulatório pertence ao HE), confirmou a orientação de encaminhar as crianças à Santa Casa de Cambé por não ter um pediatra naquele momento. Casos clínicos (como a intoxicação), segundo a assessoria, necessitam de uma avaliação de um pediatra ‘‘porque a dosagem do medicamento para criança é diferente da recomendada para um adulto’’.
A assessoria informou ainda que, quando os adultos foram orientados a levar as crianças à Santa Casa de Cambé, ‘‘não houve reclamação e também não havia nenhuma criança desfalecida’’, condição que exigiria atendimento imediato. Quando são constatados casos graves, eles são encaminhados ao HE. Pediatras no ambulatório podem ser encontrados às segundas, quartas e sextas-feiras, das 20 às 23 horas.

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