Inquérito vai apurar denúncia de tortura
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sexta-feira, 15 de janeiro de 1999
Luiz Carlos Dias Júnior 
O delegado chefe da 14ª Subdivisão de Polícia (SDP) de Guarapuava, Darci Bianchini, instaurou ontem inquérito policial para apurar a veracidade da denúncia formulada pelo advogado Élcio José Melhem, de que seus clientes Everaldo Machado Antunes, 23 anos, e João Maria Laskoski, 32, foram torturados para confessar a participação numa tentativa de assalto à Transportadora Nossa Senhora de Caravaggio.
Eles foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) para o exame de lesões corporais, mas o delegado afirma que estranhou a demora das vítimas em fazer a denúncia para a chefia da subdivisional. O intervalo entre a data dos fatos e a denúncia poderá prejudicar o esclarecimento do que realmente houve. Mas em função da oficialidade da denúncia, tudo será feito para que os fatos sejam esclarecidos, disse Bianchini.
Antunes e Laskoski foram presos dia 5 de dezembro de 1998, junto com outros três homens pela P2 (serviço reservado) da Polícia Militar. Eles eram suspeitos de estar planejando diversos assaltos em empresas de Guarapuava, mas afirmaram que só confessaram o crime sob tortura e que são inocentes.
Segundo o advogado Élcio Melhem, o inquérito foi para o Fórum, onde o Ministério Público entendeu que, como houve prisões em diversos lugares, não há indicativo que houvesse a formação de quadrilha. O advogado salientou que vai entrar com uma ação de indenização por dano moral contra o Estado. Tanto Antunes, quanto Lakoski não têm condições de buscar emprego em nossa cidade, já que toda a população tomou conhecimento dos fatos, onde foram acusados de assaltantes, disse Melhem.


