Sucusal de Maringá
A 9ª Subdivisão Policial de Maringá vai abrir inquérito para apurar as causas do ataque de um casal de cães da raça Mastin Napolitano ao tratador do canil e escola de adestramento Freedog, de Maringá, Marco Aurélio da Silva, 19 anos. Ele teve a perna esquerda amputada na última sexta-feira. Segundo boletim médico divulgado ontem pelo Hospital Santa Rita, Marco estava na UTI e seu estado de saúde era grave: estava inconsciente e respirava por aparelhos.
O delegado-chefe da 9ª SDP, Leonil Cunha Pinto, quer saber as condições em que o tratador trabalhava no canil e por que foi necessário amputar sua perna. O médico Fumiya Horita, cirurgião responsável pela amputação, não quis dar declarações à imprensa ontem. Na sexta-feira, ele disse que as mordidas, muito profundas, causaram uma infecção grave, que pode ter se espalhado pelo organismo do paciente.
O delegado afirmou que hoje vai pedir ao proprietário do canil, Ari Marcos Borges da Silva, as fichas dos cães, para saber quem são seus proprietários. Há indícios de que os animais que atacaram Marco são os mesmos que mataram o bicheiro Mário Tamia, em dezembro passado, em Apucarana. Familiares de Mário negaram ter sacrificado os animais e garantiram que os cães permanecem num sítio próximo a Apucarana.
Borges da Silva também nega que os cães sejam os mesmos, mas já existem evidências de que Marco Aurélio teria ido a Apucarana trazer os animais para Maringá. A polícia já sabe que, no momento do ataque dos cães, Marco estava de bermudas e camisa e que, apesar de trabalhar no canil há dez meses, não tinha a carteira de trabalho assinada.


Há indícios de que
os cães sejam os
mesmos que atacaram
bicheiro em Apucarana

O pai de Marco, Pedro Marcelino da Silva, 39 anos, afirmou que ontem se encontrou no hospital com Borges da Silva e que este lhe garantiu que vai pagar todas as despesas do hospital. Pedro Marcelino sepultou a perna amputada do filho no cemitério da Vila Bosque. Ele disse que a infecção pode ter sido causada pela demora no atendimento: primeiro, Marco foi levado por Borges da Silva para o Hospital Universitário (HU), que não teve condições de atendê-lo; depois foi levado a um posto de saúde no Jardim Alvorada; e em seguida, transferido para o Santa Rita.
O adestrador de cães Júnior Pereira da Silva, 25 anos, foi visitar o amigo Marco no hospital na quinta-feira, quando ele ainda esta consciente. Ele teria dito a Júnior que estava dentro do canil com os dois cães, quando uma das funcionárias fez menção de entrar. Ao mesmo tempo, a Mastin fêmea ameaçou sair. Marco teria segurado a cadela pela coleira, mas ela lhe mordeu e o macho o atacou, em seguida.
Júnior já foi atacado por esses animais e quase morreu: ‘‘Não precisa treinar o mastin para ele ficar bravo. Ele já é violentíssimo por natureza. Nunca vi um manso. Pesa até 115 quilos’’.

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